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O bispo do Algarve afirmou ontem na Missa de Dia de Natal que todos os que “acolhem na fé e no amor este Menino recém-nascido estabelecem, n’Ele, uma nova relação com Deus: reconhecem a sua paternidade e dispõem-se a construir a verdadeira fraternidade humana”, considerando que a edificação desta fraternidade, “dom de Deus oferecido à humanidade, no recém-nascido”, “deve constituir para todos o verdadeiro espírito que carateriza e inspira a celebração do Natal”.

“A encarnação do Verbo abre-nos à filiação divina e predispõe-nos também para construir a fraternidade humana”, “uma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas, independentemente da sua proximidade física, ou do lugar onde cada um nasça ou viva”, começou por referir D. Manuel Quintas na eucaristia da solenidade do Natal do Senhor a que presidiu na catedral de Faro, lembrando a recente encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco, cuja leitura aconselhou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo diocesano lembrou que essa “fraternidade não resulta unicamente de situações onde se respeitem as liberdades individuais, ou mesmo a prática duma adequada igualdade” e acrescentou que “para progredir no caminho que conduz à amizade social e à fraternidade universal, é imprescindível dar-se conta do valor de cada ser humano”. “Todo o ser humano tem direito a viver com dignidade e desenvolver-se integralmente, e ninguém lhe pode negar este direito fundamental. Quando não se salvaguarda este princípio elementar, não há futuro para a fraternidade nem para a sobrevivência da humanidade”, sustentou com base no documento do Papa.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

D. Manuel Quintas desejou ainda que o “dom” da fraternidade possa mobilizar à “construção de um mundo mais inclusivo, mais justo e mais fraterno”. “Fraternidade que esta pandemia global veio igualmente evidenciar”, prosseguiu. “Como uma verdadeira tempestade, despertou-nos para a consciência de que constituímos uma comunidade mundial que viaja no mesmo barco, onde o mal de um prejudica a todos e que só é possível salvar-nos juntos, remando todos na mesma direção. Evidenciou a nossa fragilidade e a nossa vulnerabilidade, questionando as nossas falsas seguranças, os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostrou-nos como secundarizámos ou mesmo abandonámos os princípios que alimentam e fortalecem a nossa vida pessoal e familiar, as nossas comunidades e a matriz da nossa identidade religiosa e cultural, as nossas raízes e a memória dos nossos idosos, deixando-nos sem a imunidade necessária para enfrentar as adversidades, qual vírus desconhecido, que a cada momento nos pode atingir”, desenvolveu.

O bispo do Algarve lembrou ainda na celebração “todos os que sofrem direta ou indiretamente as consequências desta pandemia, sem esquecer os profissionais de saúde, familiares daqueles que já faleceram” e aqueles que na noite de Natal “se sentiram mais sozinhos porque era habitual estarem com uma família alargada a celebrar a consoada e não lhes foi possível”.

“E nesta eucaristia queremos também louvar o Senhor por todo o progresso que se conseguiu no combate a esta pandemia. Felizmente, a vacina já está a ser ministrada em diversos países. No nosso começará depois de amanhã [27 de dezembro]. Constitui verdadeiramente um sinal de esperança para todos nós e por isso louvemos o Senhor”, afirmou na eucaristia transmitida em direto na página do Facebook do jornal Folha do Domingo.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

No final da eucaristia evocou também “aqueles que, não apenas nesta quadra, encontram mais espaço na sua vida para os outros”. “Estou a pensar em tantas instituições, mas de maneira particular nessas que conheço um pouco melhor, seja a Cáritas Diocesana, seja os refeitórios sociais, seja os movimentos sociocaritativos das nossas paróquias”, disse, num “testemunho agradecido” pela “onda solidária e fraterna” que encontra no Algarve. “Não basta celebrar o Natal desta maneira que celebrámos. Isso é importante, mas é preciso aplicá-lo à nossa própria vida, que inclui sempre os outros, particularmente os mais necessitados. É assim que construímos, vivemos e testemunhamos a fraternidade que hoje escutámos como apelo da palavra de Deus”, sustentou.

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