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O bispo do Algarve nomeou três novos cónegos para o Cabido da Sé de Faro.

Padre Carlos de Aquino – Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Os escolhidos por D. Manuel Quintas, após a consulta do próprio Cabido Catedralício, foram os padres Carlos de Aquino, Mário de Sousa e Rui Barros Guerreiro, que se juntarão aos cónegos Carlos César Chantre, Joaquim Luís Cupertino, Joaquim José Nunes, José Pedro Martins, José Rosa Simão e Manuel Oliveira Rodrigues.

Padre Mário de Sousa
Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O Cabido da Catedral de Faro passará assim a ser constituído por nove membros e a tomada de posse dos novos cónegos ocorrerá no dia 18 de julho, pelas 18h30, na própria Sé de Faro, inserida na oração das primeiras vésperas da solenidade da dedicação daquela catedral.

A nomeação agora conhecida decorre da necessidade, prevista nos estatutos do próprio Cabido, daquele órgão ser constituído pelo menos com seis cónegos com idade inferior aos 75 anos, o que já não acontecia com os cónegos Joaquim Luís Cupertino (91 anos), José Pedro Martins (78 anos) e José Rosa Simão (84 anos).

Padre Rui Barros Guerreiro – Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A nomeação das chamadas dignidades – deão, do chantre e do arcediago – será feita pelo bispo após ouvir o Cabido, bem como o penitenciário. Para os restantes ofícios – secretário, tesoureiro, arquivista, diretor do museu, entre outros – o prelado nomeará os cónegos que os membros do Cabido elegerem.

O Cabido da catedral é o colégio dos clérigos chamados “cónegos”, constituído principalmente para assegurar um culto mais solene na catedral. Aquele órgão é presidido pelo deão. O chantre coordena a vida litúrgica da catedral e o arcediago é o responsável pelo património da mesma. Ao penitenciário compete-lhe absolver, no foro do sacramento da confissão, das censuras que decorrem, automaticamente, de determinados pecados.

Aquele órgão tem como primeira atribuição assegurar a vida litúrgica da catedral, a participação nas celebrações litúrgicas mais solenes na igreja catedral, a promoção de iniciativas que visem a evangelização da cultura pelo seu fomento e difusão, particularmente na sua relação com a fé e a liturgia, a valorização da catedral, não só enquanto referência histórica cultural e patrimonial, mas sobretudo como espaço onde se reúne uma comunidade viva diocesana e paroquial que nele celebra a fé e dele faz casa e escola de comunhão e de vida. Cuidar do decoro da catedral, da conservação do seu património e do cuidado do seu arquivo histórico, enriquecendo-o e atualizando-o são ainda outros encargos do Cabido da catedral.

Desconhece-se se, no clero da Sé de Santa Maria de Ossónoba, antes da conquista portuguesa, já existia o Cabido. Sabe-se sim que, com a conquista do território do Algarve e a criação da Diocese de Silves (1189), aí se instituiu o Cabido com estatutos próprios confirmados pela Santa Sé.

A tomada de posse, propriamente dita, é constituída por dois momentos – a profissão de fé dos sacerdotes e o juramento de fidelidade –, após a qual terá lugar a assinatura do documento do juramento e saudação pelo bispo. A tomada de posse conclui-se com a leitura da ata, não sem que antes ocorra o gesto simbólico da tomada dos assentos dos novos cónegos. A última tomada de posse de cónegos do Cabido Catedralício da Sé tinha ocorrido a 19 de julho de 2013.

O padre Carlos de Aquino é presbítero da Diocese do Algarve, tendo sido ordenado sacerdote em 1993. Natural de Vila Real de Santo António, é atualmente pároco de Loulé, sendo há vários anos o responsável pelo Secretariado de Liturgia da diocese algarvia.

Enviado para Roma em 1999, aí se licenciou em Liturgia, pelo Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, cuja dissertação, após revisão, foi publicada, na coleção Hodie e pode ser adquirido no próprio site do Secretariado Nacional de Liturgia. O sacerdote é ainda autor de várias publicações editadas por aquele organismo e também pela Diocese do Algarve.

Natural de Vila Real de Santo António, o padre Mário de Sousa, de 50 anos, é formado em Teologia pelo Instituto Superior de Teologia de Évora, onde é professor de Novo Testamento. Ordenado sacerdote em 1996, é ainda licenciado em Teologia pela Universidade Católica de Lisboa, em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma e doutorado em Teologia Bíblica pela Universidade Gregoriana de Roma.

É diretor do Centro de Estudos e Formação de Leigos do Algarve, presidente Associação Bíblica Portuguesa desde 2017 e foi nomeado em setembro passado pela CEP, coordenador da Comissão da Tradução da Bíblia.

Na Diocese do Algarve é ainda pároco na igreja matriz de Portimão. Entre outras publicações é autor de “Introdução ao Evangelho de S. João”, “«Para que também vós acrediteis». Estudo exegético-teológico de Jo 19,31-37” e “Os encontros de Jesus no Evangelho de São João”.

O padre Rui Barros Guerreiro foi ordenado sacerdote em 2004 e especializou-se em Direito Canónico pela Universidade Gregoriana de Roma. É pároco das paróquias da Sé e de São Luís de Faro, vice-chanceler, juiz do Tribunal Interdiocesano de Évora, Beja e Algarve, assistente espiritual do Movimento dos Cursos de Cristandade e das Equipas de Nossa Senhora.

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