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O bispo do Algarve pediu esta manhã aos católicos algarvios que continuem a viver este tempo de pandemia “com responsabilidade” e “com o sentido cívico” que é pedido, “cumprindo tudo aquilo que está determinado”.

“Sabemos que os tempos que vivemos não são fáceis. Sabemos que não podemos facilitar, que somos todos corresponsáveis e todos irmãos também nisto”, afirmou, D. Manuel Quintas na homilia da eucaristia que encerrou a Assembleia do Renovamento Carismático Católico que decorreu esta manhã no Centro Paroquial de Loulé.

O bispo do Algarve pediu ainda aos diocesanos para não caírem na “falsa ideia” de que, por não serem atingidos, são “melhores do que os outros”. “Certamente que se Jesus vivesse nesta altura dizia que aqueles mais 3000 atingidos diariamente pelo covid podemos ser nós. Aqueles que estão internados ou até nos cuidados intensivos ou até atingidos, mesmo mortalmente, por este vírus, somos nós. «Pensais que sois melhores do que eles?», pergunta Jesus”, afirmou.

O responsável católico desafiou ainda a “olhar para os acontecimentos da vida”. “Deus fala-nos também através desses acontecimentos. O Espírito ajuda-nos a discernir e a ver com maior clareza tudo o que se passa à nossa volta e a encontrar em tudo a vontade de Deus”, prosseguiu.

Lembrando a recorrente interrogação humana “porque é que Deus permite isto?” perante tantas circunstâncias da vida, assegurou não ser “obra sua, mas incúria humana”. “Ou então, estamos sujeitos à nossa fragilidade, à precariedade da nossa vida”, admitiu ainda. “Às vezes pensamos que não, que somos super-homens e super-mulheres, sobretudo aqueles que estão a crescer, os jovens, e nós também que nunca nos confrontámos com uma situação como esta. Isto deixa-nos um pouco perplexos, sem referências”, desenvolveu.

“Podemos correr o risco de nos sentirmos sozinhos, abandonados por Deus e, às vezes, uns pelos outros, sobretudo aquelas pessoas que vivem situações frágeis na vida ou que estão nos hospitais ou nos lares e não podem ser visitados pelos familiares. Não podemos exprimir, através de gestos de ternura e de afecto, aquilo que nos une, sobretudo avós e netos. Isto causa muita perplexidade, causa-nos muito desconforto e, por vezes, não é fácil sabermos orientar-nos e saber tirar lições para a nossa vida”, alertou.

Portugal atingiu hoje um novo recorde de infeções por covid-19 com 3.669 novos casos e 21 mortes. O Algarve tem 54 novos casos e mais uma morte.

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