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D. Manuel Quintas optou, desde há sete anos, por celebrar ali a primeira Eucaristia de cada ano e este ano, tal como nos anteriores, teve também presente na sua homilia o Dia Mundial da Paz que se assinala igualmente naquele dia desde 1968, por iniciativa do Papa Paulo VI.

Começando por invocar de Deus a sua bênção para 2011 e a protecção de Nossa Senhora, o Bispo diocesano destacou que “Maria é modelo de todo aquele que acolhe a bênção de Deus” e com Ele colabora no seu “projecto de amor e salvação”.

Pese embora a inicial referência mariana a propósito da solenidade referida, a homilia do prelado ficaria marcada pela alusão à Mensagem do Papa Bento XVI para o 44º Dia Mundial da Paz, intitulada “Liberdade religiosa, caminho para a paz”. “O Papa pede-nos que meditemos neste tema tendo presente a liberdade religiosa como caminho para a Paz”, destacava D. Manuel Quintas, apontando que “o Papa lembra como é importante a liberdade religiosa e a dimensão espiritual, não só para a harmonia da pessoa, consagrada em si mesma, mas também para a construção de uma sociedade mais justa, que viva em maior harmonia”.

O Bispo diocesano, que lamentou o atentado que vitimou 21 cristãos no Egipto, advertiu para a necessidade da dimensão pública da fé. “Não tem sentido uma religião que não tenha esta dimensão de expressão pública. Muitas vezes ouvimos essa tendência, e às vezes até nos conformamos com ela – que não está certa –, de reduzir a religião e a fé à sacristia, ao especificamente privado de cada um. Não pode ser. Seria uma contradição”, alertou.

D. Manuel Quintas lembrou ainda que a paz precisa de ser “preservada, defendida e construída”, sendo por isso “um processo que exige o empenho de todos”.

Apelando à leitura e meditação da mensagem pontifícia, o Bispo do Algarve pediu que todos acolham o apelo de Bento XVI. “Queremos acolher este apelo que nos faz o Papa, não só rezando para que Deus conceda ao mundo, a cada um de nós e a cada família, este dom da Paz, mas, ao mesmo tempo, procurando corresponder a este apelo de todos sermos construtores desta Paz. Sabemos como é importante este dom de Deus para que haja harmonia nas famílias, nos pobres, das sociedades e países marcados por muitas religiões”, disse.

A terminar, referiu-se às informações noticiadas de que Portugal estaria no topo dos países com mais tolerância religiosa. “Sabemos que, pela nossa história, pelo facto de termos sido um povo aberto ao mundo – não só viajando mas acolhendo outros –, essa qualidade deve ser desenvolvida e incrementada porque é importante como caminho de Paz”, disse.

Samuel Mendonça

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