O bispo do Algarve disse hoje aos estudantes finalistas da Universidade do Algarve (UAlg) que a celebração da bênção das pastas “não pode reduzir-se a assinalar o fim de um curso académico”, mas “aponta para o início de uma responsabilidade maior”.




“É uma celebração que marca a passagem da aprendizagem para a responsabilidade, ou melhor ainda, da formação para a missão”, afirmou D. Manuel Quintas esta tarde no Estádio Algarve onde presidiu à bênção das pastas de mais de um milhar de finalistas da Universidade do Algarve (UAlg) inscritos.




Àqueles estudantes, que agora terminam os seus cursos, o bispo diocesano disse-lhes “que tudo deve ser colocado ao serviço do bem comum”, para lhes apresentar um “critério decisivo” para o seu futuro: “os dons não são propriedade privada, são antes responsabilidade partilhada”. “Este princípio desmonta uma ideia perigosa muito presente no mundo atual, a de que o sucesso é apenas individual”, prosseguiu o responsável católico, considerando o seu conhecimento e aptidões “só atingem a sua plenitude quando se transformam em serviço”. “Se os vossos talentos não melhorarem a vida de alguém, então ainda não encontraram o seu verdadeiro propósito”, alertou.




D. Manuel Quintas lembrou que “o Algarve precisa de profissionais competentes”, “mas sobretudo de pessoas que coloquem o seu saber ao serviço dos outros”. Nesse sentido disse aos finalistas que “o verdadeiro critério do sucesso não se limita «até onde vou conseguir chegar», mas «quem vou ajudar a chegar mais longe»”.




O bispo do Algarve advertiu que “não basta saber muito, ser competente”, mas “é preciso saber bem e sobretudo ser bom e agir com verdade”; “não basta ter opiniões fortes, redes sociais, polarizações e decisões rápidas”, mas “é preciso ter discernimento e lucidez para decidir bem e sobretudo com justiça”; “não basta vencer e dominar”, mas “é preciso construir, inspirando-se num sadio humanismo”. “O mundo que vos espera, valoriza muito o desempenho, a rapidez, a visibilidade, mas nem sempre valoriza o essencial. Num tempo de decisões rápidas e pressões constantes, a sabedoria será o vosso verdadeiro diferencial”, acautelou.




“A partir deste dia ides enfrentar opções reais e até com a tentação de seguir por atalhos: decisões apressadas, vantagens fáceis, compromissos duvidosos. E, podeis crer, nem sempre haverá clareza sobre o melhor caminho a seguir”, continuou D. Manuel Quintas, acrescentando que “Jesus não promete um caminho fácil, mas um caminho verdadeiro”. “E isso muda tudo. Porque o verdadeiro sucesso não é apenas chegar longe. É chegar bem. É chegar inteiro. É chegar com verdade. É chegar, conseguindo uma vida realizada e feliz”, sustentou.




O bispo do Algarve pediu assim aos finalistas que levassem “três coisas simples, se bem que exigentes”. “Que os vossos dons sejam colocados ao serviço do bem comum; que a vossa inteligência se torne sabedoria; que nunca percais de vista o caminho da verdade e da vida”, concretizou. “O Algarve, o nosso país, o mundo de hoje, não precisa apenas de profissionais competentes. Precisa de pessoas íntegras. E essa escolha, essa sim, é diária e faz-se ao longo da vida”, complementou na celebração que contou com a concelebração do capelão da UAlg, o padre António de Freitas, e com o serviço do diácono Albino Martins.




A reitora da UAlg constatou que hoje o mundo está “em constante mudança, especialmente acelerada, no nível tecnológico, ambiental e social”. “Tal torna os problemas muito mais complexos e de tal forma que podem ter adquirido aqui competências decisivas não técnicas, mas humanas”, considerou Alexandra Teodósio.




A reitora evidenciou que hoje terminou “só ma etapa”. “O que permanece é uma rede de pertença, de valores e de pessoas”, valorizou. “Meus caros finalistas, a partir de amanhã e talvez de hoje, o mundo vai-vos pedir competência. Peço-vos que nunca deixem de exigir respeito por vós e de oferecer também humanidade. Que esta bênção das pastas vos recorde que carregam convosco este compromisso”, pediu.




Também o presidente da Associação Académica da UAlg se referiu ao “fim de um ciclo” e ao início de “um novo capítulo”. “Honrem o caminho que fizeram até aqui. Sejam felizes não apenas no percurso, mas também no processo”, pediu Tomás Silva depois da celebração que teve início com um minuto de silêncio pelos membros da comunidade académica que faleceram no último ano, o qual foi finalizado com uma salva de palmas.




Depois da celebração da bênção das pastas decorreu a cerimónia da queima das fitas.




Estudantes da Universidade do Algarve homenagearam D. Manuel Quintas






