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O apelo de D. Manuel Quintas foi deixado na homilia da Missa Crismal que teve lugar na Sé de Faro, com a participação de quase todos os membros do clero algarvio.

“Somos chamados a anunciar o evangelho da esperança. O homem precisa da grande esperança para poder viver o seu próprio presente, a grande esperança que é aquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até ao fim. Só nos será possível realizar com fidelidade este imperativo se cultivarmos uma familiaridade quotidiana com a palavra de Deus e, sobretudo, com a palavra viva do verbo encarnado, a fim de o anunciar com convicção e paixão”, sustentou o prelado.

Citando Santo Agostinho, D. Manuel Quintas advertiu que “fica sem fruto aquele que prega exteriormente a palavra de Deus sem a escutar no seu íntimo”. A partir da exortação apostólica do Papa, “Verbum Domini”, lembrou que “a palavra de Deus é indispensável para formar o coração do bom pastor, ministro da palavra”, a começar pelo bispo, que deve “colocar sempre a leitura e a meditação da palavra de Deus à frente de tudo o resto”.

O bispo do Algarve recordou aos sacerdotes que devem “ser os primeiros a desenvolver uma grande familiaridade pessoal com a palavra de Deus”. “Não basta conhecer o aspeto linguístico ou exegético, é preciso abeirar-se da palavra com um coração dócil e orante, afim de que ela penetra a fundo nos vossos pensamentos e sentimentos e gere e vós uma nova mentalidade: o pensamento de Cristo”, afirmou, lembrando que as suas “palavras, opções e atitudes devem ser, cada vez mais, uma transparência, um anúncio e um testemunho do evangelho”. “Só permanecendo na palavra é que o presbítero se tornará perfeito discípulo do Senhor, conhecerá a verdade e será realmente livre”, complementou.

D. Manuel Quintas lembrou também aos diáconos que um “elemento caracterizador da espiritualidade diaconal é obrigatoriamente a palavra de Deus que o diácono é chamado a anunciar com autoridade, acreditando naquilo que proclama, ensinando aquilo em que acredita e vivendo aquilo que ensina”. O bispo do Algarve sublinhou ainda o “papel decisivo da palavra de Deus na vida espiritual dos candidatos ao sacerdócio”, os seminaristas.

Aos padres, o prelado lembrou ainda que a renovação das promessas sacerdotais, a bênção dos óleos dos catecúmenos e enfermos e a consagração do óleo do crisma, momentos significativos daquela Eucaristia, “exprimem a comunhão dos presbíteros com o seu bispo que, pela ordenação sacerdotal, participam como seus cooperadores no poder de edificar, santificar e governar o povo de Deus e testemunham a unidade no sacerdócio e do sacrifício de Cristo na Igreja”.

D. Manuel Quintas explicou que os sacerdotes são “servidores do anúncio do evangelho a toda a criatura e da plenitude da vida cristã para todos os batizados”. “Esta é a nossa identidade, a nossa verdadeira dignidade, a fonte da nossa alegria, o caminho da nossa realização humana e cristã”, complementou, lembrando que “a participação no único sacerdócio de Cristo é o fundamento da vocação e missão do presbítero e exprime a sua identidade específica”.

“Anunciar o evangelho é o serviço da Igreja ao mundo e é também a razão da nossa consagração e do nosso ministério na Igreja que somos chamados a renovar nesta manhã com o fervor do dia da nossa ordenação”, acrescentou, exortando-os a “anunciar com desassombro e ousadia e sem temor, Cristo morto e ressuscitado”.

O bispo do Algarve lembrou ainda o bispo emérito, os padres ausentes “porque idosos ou doentes” e os recentemente falecidos, referindo-se ao “sentido de comunhão eclesial” daquela celebração, expressa também na apreciada presença de muitos, oriundos de vários pontos do Algarve, que quiseram acompanhar o seus párocos. Para todo o clero e seminaristas, D. Manuel Quintas pediu a oração dos presentes e, sobretudo, “para que o Senhor faça surgir servidores de Cristo e do evangelho”.

A Missa Crismal foi concelebrada por vários sacerdotes de fora do Algarve que nesta altura do ano colaboram com a Igreja algarvia, entre os quais os superiores provinciais dos Sacerdotes do Santíssimo Redentor (Missionários Redentoristas) e dos Missionários Combonianos.

Os óleos benzidos e consagrados durante a celebração, e que os párocos levaram para as respetivas paróquias, serão usados durante o próximo ano na administração dos sacramentos do Batismo, Crisma, Ordem ou Santa Unção, ou na dedicação dos altares ou de novas igrejas.

Ainda hoje se celebra a Missa vespertina da Ceia do Senhor com a qual tem início o Tríduo Pascal da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Neste dia, a Igreja Católica comemora a instituição dos sacramentos da Eucaristia e da Ordem, evocando a Última Ceia de Jesus com os apóstolos, e repete, simbolicamente, o gesto do lava-pés que, segundo o relato do evangelho de São João, foi feito pelo próprio Cristo.

Samuel Mendonça
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