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O Carmelo de Faro (Carmelo de Nossa Senhora Rainha do Mundo) contou, neste V Domingo da Quaresma, com a presença do Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, que ali presidiu à eucaristia e à oração de Vésperas.
A escolha deste local para o início das celebrações com presença dos fiéis teve duas razões, conforme explicou o prelado algarvio: por um lado o entendimento de que, neste domingo de regresso às comunidades, deveriam ser os párocos a presidir às eucaristias nas diversas paróquias, pois precisavam de se reencontrar com as suas comunidades e vice-versa; por outro lado, D. Manuel Neto Quintas já há algum tempo não visitava o Carmelo e sentiu o apelo interior de ir, de estar e celebrar com esta comunidade de Vida Consagrada de Clausura, de Irmãs Carmelitas Descalças.
Na sua homilia, o Bispo do Algarve a proposta de Jesus para aqueles que o querem ver, tal como os gregos que, na leitura do Evangelho, pedem a Filipe e André, dois dos apóstolos, para os levarem a ver o Mestre. «Este é, certamente, um desejo que toca o coração de todos os cristãos», referiu D. Manuel Neto Quintas, prosseguindo: «Curiosamente, a resposta a este desejo é dada através duma imagem agrícola: “Se o grão de trigo lançado à terra não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto”. Ou seja, se me queres ver, diz Jesus, contempla o grão de trigo, e deixa que o teu coração mergulhe no dinamismo da cruz».
Esta imagem do grão de trigo é a do próprio Jesus, como explica o bispo algarvio: «Também Ele será sepultado na terra, mas ressurgirá e dará muito fruto com a sua ressurreição». Esse fruto será a «a Igreja, seu corpo místico, que nasceu de sua morte e ressurreição» e «toda a humanidade, porque Ele morreu por todos, todos foram redimidos por Ele, mesmo os que o desconhecem».
A síntese de uma existência bem ou malsucedida é o que sucede ao grão de trigo, como afirma o prelado: «Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida, neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna (cf. Mt 16, 25)». Assim, o caminho dos discípulos de Jesus, que são todos os cristãos de hoje, é um caminho inspirado nesta visão, no «grão de trigo lançado à terra (mundo) para poder germinar (doar-se pelos outros) e frutificar».
E este não é um caminho sem esperança, pelo contrário, como sublinha D. Manuel Neto Quintas: «uma vida entregue por amor é fonte de plenitude e de vida eterna, é sinal de Esperança cristã, cujo fundamento é a ressurreição de Cristo, garantia e certeza da nossa ressurreição». E dá exemplos: « A vida de uma carmelita que em clausura se dá consagrando-se totalmente a Cristo e alimentando e fortalecendo a Igreja com a sua oração e a fidelidade da sua consagração; a vida de uma mãe que se consome por causa do seu filho; a vida de uma pessoa que se gasta na visita aos doentes ou mais abandonados; a vida de um voluntário que se entrega ao serviço dos outros; a vida de quem se dá sem reservas… são as vidas que transportam em si o fruto da plenitude para a eternidade».

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