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O Bispo do Algarve, dirigindo-se à comunidade paroquial silvense durante a missa dominical, reafirmou a proximidade da Igreja Diocesana neste momento difícil, afirmando que toda a estrutura da Igreja Algarvia está unida e próxima de Silves e de Lagoa, cidade que também foi afetada pelo fenómeno meteorológico. «A minha presença aqui é sinal de que toda a Igreja diocesana também está presente e solidária e estamos particularmente unidos a todos os que perderam bens, que ficaram feridos; todos eles estão presentes nas nossas orações», afirmou.

«Estas comunidades viveram um verdadeiro vendaval, mas hoje estão a viver um outro, que nos comove, uma verdadeira tempestade de bondade», salientou o prelado, referindo-se ao facto de ter presenciado o trabalho das centenas de voluntários que desde as primeiras horas da manhã trabalhavam por todo o espaço urbano, na limpeza e remoção de destroços. «Fiquei muito feliz por presenciar o trabalho desta multidão de gente vinda de todos os lados, de forma voluntária, a trabalhar unida para restabelecer a harmonia, a ordem e a beleza nesta cidade», salientou D. Manuel Neto Quintas.
O Bispo do Algarve deixou, também, uma palavra a todos os que poderão ajudar neste momento de crise, nomeadamente aos governantes: «Podemos não ter capacidade económica ou humana para repor tudo, mas espero que quem nos governa e tem responsabilidades faça a sua parte e ajude quem mais precisa. Não se trata de esbanjar meios, mas de uma situação de justiça. Seria muito pior que as pessoas que perderam tudo não encontrassem ajuda. Esse vendaval seria pior do que o primeiro que passou».
D. Manuel Neto Quintas salientou, ainda, o exemplo da figueira, presente na Liturgia da Palavra deste domingo, como um exemplo de esperança e de fé na capacidade de recomeçar, esperança essa que está integralmente personificada na pessoa de Cristo, Salvador. «Devemos refletir sobre como somos frágeis perante fenómenos que ainda não conseguimos prever», afirmou e prosseguiu: «Essa fragilidade ajuda-nos a olhar para nós mesmos sem o espírito arrogante que tantas vezes nos afasta dos outros. Apoiando-nos em Cristo seremos capazes de abrir a porta da esperança e mais fortes podermos ajudar quem precisa».
 
O Bispo terminou a sua homilia desejando que «esta onda benfazeja, que esta onda de generosidade» nos ajude a compreender que «podemos muito contra as tempestades humanas, sobretudo se as transformarmos em ação».

Sandra Moreira
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