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O bispo do Algarve considerou hoje que o livro de Job, do qual a Igreja extraiu a primeira leitura da liturgia deste domingo, “pode constituir uma oportuna e proveitosa sugestão em tempo de pandemia”.

Na eucaristia a que presidiu esta manhã a partir do oratório do Paço Episcopal de Faro, D. Manuel Quintas referiu que aquele livro da Bíblia, “ao narrar o testemunho de Job, procura responder a questões sempre atuais, particularmente neste tempo”. “Qual é o sentido do sofrimento e da dor na passagem do homem pela Terra? Qual a posição de Deus face aos dramas que marcam a nossa existência? As suas perguntas sobre o sentido da vida são as perguntas que tantos se colocam em tempos conturbados como este que estamos a atravessar”, prosseguiu.

Na celebração transmitida em direto nas redes sociais, o bispo diocesano considerou que o “grito orante de Job”, que “ecoa em todos os tempos, “é o grito de toda a humanidade que não se conforma nem resigna, mas que se esforça por cuidar e amparar a vida em todos os seus momentos e por encontrar sentido na luta por superar todas as crises que vai experimentando”.

Com base na mensagem do Papa para o 29.º Dia Mundial do Doente, que se celebrará na próxima quinta-feira, 11 de fevereiro, D. Manuel Quintas reforçou que “a atual pandemia pôs em evidência muitas insuficiências dos sistemas de saúde, próximos do limite das suas capacidades, na assistência às pessoas doentes”.

O responsável católico realçou ainda que a presente crise sanitária “evidenciou, por outro lado, a dedicação e generosidade de profissionais de saúde, voluntários, capelães que, com profissionalismo, abnegação, sentido de responsabilidade e amor ao próximo, ajudam, tratam, confortam e servem os doentes e seus familiares”, lembrando ser “um grupo silencioso de homens e mulheres que optaram por olhar para aqueles rostos, ocupando-se das suas feridas que sentem como próximos em virtude da pertença comum à família humana”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Prosseguindo na referência ao documento de Francisco, sob o tema “«Um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos» (Mt 23,8). A relação de confiança na base do cuidado dos doentes”, o bispo do Algarve lembrou que quem serve “procura a promoção do irmão”. “Por isso, o serviço nunca é ideológico, já que não servimos ideias, mas pessoas”, salientou, acrescentando que “esta relação com a pessoa doente encontra uma fonte inesgotável de motivações e energias na caridade de Cristo, como demonstra o testemunho milenar de homens e mulheres que se santificaram, servindo os doentes”. “Da realidade do mistério da morte e ressurreição de Cristo brota o amor que é capaz de dar sentido pleno, tanto à condição do doente, como à da pessoa que dele cuida”, sustentou, pedindo que se cultivem “os mesmos sentimentos em relação à construção de uma verdadeira fraternidade humana, numa atenção constante aos que sofrem física e espiritualmente”.

O tema da “fraternidade humana” consistiu, aliás, outro dos temas da homilia de hoje de D. Manuel Quintas. O bispo do Algarve lembrou a celebração do primeiro Dia Internacional da Fraternidade Humana, instituído pela ONU, ocorrida na passada quarta-feira, iniciativa inspirada na declaração católico-islâmica para a paz mundial e a convivência comum que o Papa Francisco e grande-imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, assinaram a 4 de fevereiro de 2019, em Abu Dhabi. O bispo do Algarve considerou-a “uma declaração muito oportuna e com princípios muito importantes” e convidou à sua leitura.

No final da Eucaristia de hoje, em que foi celebrada a “Missa em tempo de pandemia” aprovada em março do ano passado pela Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos (Santa Sé), o bispo diocesano exortou ainda a que se continue a observar o atual confinamento e as restantes normas para debelar a presente situação pandémica. “Felizmente estamos a ver alguns resultados. Gostaríamos que estes resultados assim continuassem e fossem ainda mais positivos. Certamente que depende também do nosso empenho e da nossa participação responsável e cívica”, afirmou.

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