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Brexit: Algarve certo de consequências para turismo mas sem unidade na resposta

Foto © EPA/Andy Rain
Foto © EPA/Andy Rain

Empresários, hoteleiros e responsáveis do Turismo coincidem sobre as consequências negativas que a saída do Reino Unido da União Europeia terá para o Algarve, mas diferem sobre como atenuar a provável quebra no seu principal mercado emissor de turistas.

O Reino Unido é o principal ponto de origem de visitantes do Algarve e, há uma semana, votou em referendo a favor da saída da União Europeia (Brexit), numa decisão que originou uma desvalorização da libra face ao euro, a perda de poder de compra dos britânicos em mercados como o português e uma consequente diminuição da atratividade da região para esses turistas.

O presidente do Turismo do Algarve disse que a região acolhe “70% das dormidas do mercado inglês em Portugal”, um peso que pode diminuir e que Desidério Silva considera ser necessário compensar com uma aposta noutros mercados, como o alemão ou o francês, porque “as coisas não vão ser como antes”.

“O Algarve vive muito do mercado inglês, 70% das dormidas do mercado inglês em Portugal acontecem no Algarve e o peso que tem para a região é muito grande”, afirmou, defendendo a necessidade de “ter confiança no destino Algarve e procurar criar as condições para minimizar esse impacto”, através da procura de mercados que “possam compensar eventualmente a diminuição da procura e do poder de compra” britânico.

Também o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, Elidérico Viegas, lembrou que “o Reino Unido é o principal fornecedor de turistas” e “responsável por mais de 33% das dormidas totais (na região), o que corresponde a quase seis milhões de dormidas”.

Este responsável estima, por isso, que a saída da União Europeia e a perda do poder de compra desses visitantes faça o Algarve “perder competitividade” para outros concorrentes da bacia do mediterrâneo.

“Este ano o mercado registava uma subida verdadeiramente notável de mais de 19% relativamente ao ano anterior, o que deixava antever um bom ano turístico e um bom contributo para os bons resultados do ano turístico”, acrescentou, prevendo que, com o ‘Brexit’ e a desvalorização da libra, “os resultados das empresas acabarão por ser afetados”.

Por seu lado, a Associação Empresarial da Região do Algarve (NERA) já veio a público defender a necessidade de as autoridades nacionais e regionais realizarem uma intervenção “mais forte, incisiva e permanente” para consolidar o mercado turístico do Reino Unido, “rejeitando atitudes pessimistas geradoras de conformismo e reagindo de imediato com ação”.

O Reino Unido “é o quarto maior destino das exportações de Portugal – representando 9,5% do total -, com mais de 7.000 milhões de euros em 2015, 47% dos quais correspondendo a bens e 53% a serviços”, lembrou a NERA, frisando que só os turistas britânicos geraram mais de 2.000 milhões de euros de receitas em 2015.

São “o principal mercado turístico de Portugal: em 2015 geraram 8,3 milhões de dormidas (…) e o Algarve é o principal destino dos turistas britânicos em Portugal”, sublinhou a NERA, estimando que “cerca de 1.500 milhões de euros das receitas externas geradas” pelos turistas britânicos tenham ocorrido nesta região.

Confrontado com estas opiniões e preocupações, o presidente do Turismo de Portugal, responsável pela promoção da atividade turística, considera ainda “prematura” qualquer decisão de alterar a estratégia de promoção junto dos turistas britânicos.

“A nossa comunicação é muito digital e podemos mudar de um dia para o outro, mas [mudar a estratégia de promoção junto dos britânicos] não é uma questão que se coloca neste momento, porque é ainda muito cedo”, disse o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, à Lusa.

Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido deve sair da UE, depois de o ‘Brexit’ ter conquistado 51,9% dos votos no referendo de quinta-feira. Um dia depois do referendo, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou a sua demissão, com efeitos em outubro, e os líderes da UE defenderam uma saída rápida do Reino Unido.

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