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Cabo-verdianos a viver no Algarve voltaram a celebrar a fé e a cultura

Foto © Samuel Mendonça

Os cabo-verdianos a viver no Algarve voltaram a reunir-se no dia 1 de maio para celebrar a fé e a cultura.

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O 23º Encontro de Cabo-verdianos, que este ano voltou a ter lugar em Loulé, teve início com a celebração da eucaristia na igreja matriz, presidida pelo cónego Carlos César Chantre, vigário-geral da Diocese do Algarve, também ele natural de Cabo Verde.

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O sacerdote voltou a destacar a importância da interculturalidade para a vivência da fé na Europa. “Os europeus precisam urgentemente que venha mais gente de outras terras para estimulá-los a regressarem à relação com Deus”, afirmou, considerando que “os imigrantes poderão ser a salvação da Europa”.

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“E ver esta assembleia mesclada de várias cores (a que me incluo) transmite a riqueza do humanismo que a Europa transmitiu aos outros povos e que agora parece que se está a esquecer daquilo que transmitiu”, prosseguiu.

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Neste sentido, o cónego César Chantre advertiu que “o europeu não é dono da Europa” e “o africano não é dono da África”. “Nós somos cidadãos do mundo porque a nossa origem é a mesma. Todos diferentes, de culturas diferentes, mas todos da mesma origem porque somos da mesma espécie”, acrescentou, apontando à condição para que o “equilíbrio entre todas as gentes” se possa manter: “respeitar o outro”. “O outro é santuário de Deus. Se o outro é santuário de Deus, eu sou santuário de Deus. E quem fizer mal a um santuário de Deus é réu do tribunal penal. Qualquer olhar, expressão ou palavra que prejudique o outro, desequilibra o princípio da solidariedade da espécie”, alertou.

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O sacerdote destacou mesmo o último exemplo dado pelo papa Francisco na aproximação entre culturas e religiões. “Que bom podermos olhar para o papa e vê-lo sair de Roma e ir abraçar os muçulmanos do Egito, ir à universidade muçulmana do Cairo e abraçar o íman islâmico. Que bom ver o nosso papa ir ao patriarca copta da Igreja Ortodoxa e abraçá-lo”, referiu, considerando que este “gesto profundíssimo” deveria “abrir os telejornais do mundo inteiro”. “O papa, um homem de 80 anos, tem estes gestos e o mundo continua calado? O mundo não percebe estes sinais de Deus?”, questionou.

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Referindo-se concretamente ao encontro dos cabo-verdianos, o sacerdote considerou significativo que ele se realize anualmente no primeiro dia de maio. “Bem-avisado estava o papa Pio XII que em 1955 entendeu por bem dizer que o Dia do Trabalhador devia ser o dia da fraternidade e não o dia do ódio entre as pessoas, nem entre as classes. O dia do trabalhador é o dia da fraternidade. E é neste 1º de maio que os cabo-verdianos entenderam por bem, há uns anos na brincadeira, criarem este convívio. E aos cabo-verdianos juntaram-se outros companheiros africanos. E aos companheiros africanos juntaram-se outros companheiros de Portugal”, recordou.

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Aos cabo-verdianos mais novos, o cónego César Chantre pediu que “sejam respeitadores da fé que receberam” dos seus pais. “Eu, como fruto daquelas ilhas cabo-verdianas, tento respeitar profundamente aquilo que os meus avós me transmitiram. Mesmo, por vezes, tendo muitas dificuldades, mas a fé em Cristo supera tudo”, afirmou.

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A celebração incluiu com um gesto, após a comunhão, que procurou evidenciar essa mesma transmissão da fé e de valores às gerações mais novas e que contou com a participação especial do cantor Dino D’Santiago (também ele de origem cabo-verdiana), acompanhado pelos seus irmãos Lígia e Elísio Pereira. “Este gesto não se aprende nas universidades, nem nas escolas. Agradeço-vos muito este gesto porque o velho em África é a sabedoria e tenho medo que na Europa o velho passe a ser o trapo”, afirmou o cónego César Chantre.

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O sacerdote deixou ainda um apelo aos responsáveis políticos. “Quer acreditem, quer não acreditem, temos de observar a fé dos povos e respeitá-la. Saibam aqueles que mandam respeitar a fé do povo que juraram servir”, afirmou, pedindo ao presidente da Câmara de Loulé também presente que “nunca tenha receio de estimular o que seja a favor da pessoa”.

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A celebração foi também concelebrada pelo padre Nelson, pároco de Loulé, e participada por um seminarista da Diocese do Mindelo a estudar no Seminário da Diocese do Algarve.

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Depois da eucaristia seguiu-se o habitual almoço-convívio que teve lugar no salão de festas da Câmara Municipal.

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