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Cabo-verdianos a viver no Algarve voltaram a celebrar a fé e a cultura

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Os cabo-verdianos a viver no Algarve voltaram a reunir-se no dia 1 de maio para celebrar a fé e a cultura.

O 24º Encontro de Cabo-verdianos, que este ano voltou a ter lugar em Loulé, teve início com a celebração da eucaristia no Santuário de Nossa Senhora da Piedade, popularmente evocada como Mãe Soberana, em Loulé, presidida pelo cónego Carlos César Chantre, vigário-geral da Diocese do Algarve, também ele natural de Cabo Verde.

Agradecendo aos europeus, e particularmente aos portugueses, por terem “transmitido Jesus Cristo” e “levado o evangelho” às terras de África, o sacerdote considerou que os africanos são “sangue novo” que pode vir ajudar os “avós europeus a recuperarem o ânimo, o espírito”. “Nós estamos convencidos que, em Jesus Cristo, podemos renovar alma europeia. Por isso, a presença dos africanos aqui pode ser uma riqueza extraordinária para estimular aqueles que aqui estão e já não acreditam no dia de amanhã”, afirmou.

O cónego César Chantre considerou que “a jovialidade africana tem de abraçar a Europa e a Europa tem de acolher a juventude africana para que os dois possam ser um «farol» no planeta”. “Queridos cabo-verdianos e africanos, não tenham medo de defender as vossas raízes, não tenho medo de defender a fé, não tenham medo de defender Nosso Senhor Jesus Cristo. E a Europa vai agradecer muito esta vossa proeza”, disse à assembleia que encheu a igreja daquele santuário.

O sacerdote começou por se dirigir aos cabo-verdianos mais novos, pedindo-lhes que honrem os seus antepassados. “Respeitem muito os vossos avós porque eles sofreram muito para vocês serem quem são”, afirmou, acrescentando que os cabo-verdianos são “um povo que lutou e, mesmo pobre, neste momento é um povo respeitado no mundo inteiro”. “Cabo-verdianos, mas sempre ligados a Jesus. Mesmo quando na vossa escola ouvirem falar mal de Jesus, lembrem-se dos vossos avós. Eles defenderam sempre Jesus”, pediu.

O sacerdote agradeceu ainda ao presidente da Câmara de Loulé porque “tem ajudado tanto esta comunidade cabo-verdiana e africana em geral”. “Estamos muito gratos pela maneira como recebe aqueles que vêm do estrangeiro”, afirmou.

O pároco de Loulé, que concelebrou a eucaristia, também destacou a unidade entre os dois povos portugueses e cabo-verdianos. “Estava a olhar para o edificado e o próprio espaço nos fala da unidade que queremos construir todos nós, mas cuja «pedra» e o fundamento é Cristo, que marca a nossa fé, os nossos sonhos, a nossa esperança”, afirmou o padre Carlos de Aquino.

Também presente na celebração, o embaixador de Cabo Verde, um país que disse ser “muito pequenino, muito pobre, quase sem recursos naturais, mas com pessoas com fé e esperança”, destacou igualmente o reconhecimento alcançado pelo seu povo. “Com a mesma fé e com a mesma perseverança estamos convencidos que podemos ir mais longe. Sentimos um orgulho tremendo quando apesar da nossa pequenez e da nossa pobreza sentimos ao redor de nós um grande respeito e uma grande admiração. Respeito por um povo e pela nossa capacidade de trabalho, a nossa seriedade e, sobretudo, a nossa confiança no futuro”, afirmou Eurico Monteiro na eucaristia que contou ainda com a presença da vereadora da Câmara Municipal da Boa Vista (Ilha da Boa Vista, Cabo Verde), Júlia Ramos, de um representante do Consulado de Angola e do comandante do Comando Territorial de Faro da Guarda Nacional Republicana.
O presidente da Câmara de Loulé apresentou a sua disponibilidade para servir todos os munícipes que escolheram aquele concelho para viverem. “Temos de trabalhar sempre para que o mundo seja muito melhor, mais fraterno, mais humano e muito mais bonito”, afirmou Vítor Aleixo.

Depois da eucaristia seguiu-se o habitual almoço-convívio que teve lugar no salão de festas da Câmara Municipal.

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