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Com uma sapataria aberta há seis meses na baixa de Faro, Márcia Paulino já enviou pares de sapatos para outras zonas do país e para a França ou Suíça, graças à exposição da sua coleção nas redes sociais.

A empresária, de 36 anos, não duvida que alimentar com frequência a página da sua loja tem contribuído para aumentar as vendas, já que muitas pessoas fazem ali compras devido aos produtos que viram na internet.

“É uma maneira de fidelizar os clientes e transmitir informações sobre os preços ou futuras promoções”, referiu, sublinhando, contudo, que uma loja apenas com vendas ‘online’ não substituiria a loja física.

Já o responsável por uma das drogarias mais antigas da cidade de Loulé, Johnny Brito, disse à Agência Lusa que a promoção nas redes sociais não resulta com todos os artigos.

“Estão mais vocacionadas para outro tipo de produtos”, comentou, apesar de reconhecer que as redes sociais podem ser úteis e pouco dispendiosas para quem as puder utilizar.

Esta é uma matéria que tem vindo a ser alvo de reflexão na Associação de Comércio e Serviços do Algarve (Acral), cujo presidente, João Rosado, sublinhou os benefícios das empresas poderem ter uma ‘montra’ fora do horário de funcionamento da loja física.

“É uma opção que, infelizmente, ainda não é generalizada e achamos que o caminho também deverá ser por aí”, comentou.

Até ao dia 22 de fevereiro, a Acral vai candidatar o projeto de um centro comercial virtual para o comércio tradicional do Algarve a apoios comunitários.
Além da base do centro comercial virtual, que poderá ser consultada por área de negócio ou por área geográfica, o projeto vai ser dinamizado nas redes sociais e inclui a elaboração de estudos de marketing das sete cidades litorais do distrito de Faro, para avaliar as necessidades dos clientes e das empresas.

Quando concretizado, o centro comercial virtual algarvio vai funcionar como uma montra empresarial regional permanentemente disponível ao consumidor com acesso à internet.

O chamado ‘web marketing’ está a ganhar adeptos e, ainda que muitos se aventurem nesta área de forma amadora, começam a surgir cursos em que comerciantes, empresários e até pessoas que procuram trabalho podem aprender a tirar melhor partido das redes sociais.

Enquanto diretor de uma empresa que está a promover formação na área do ‘web marketing’, Gabriel Augusto defendeu que “não é só uma aposta, é indispensável” perante a atual dinâmica económica.

Gabriel Augusto explicou à Lusa que a sua empresa criou um curso em que os alunos vão aprender a definir objetivos da participação de uma empresa numa rede social, analisar as reações e sugestões dos consumidores, dar visibilidade à marca, adaptar a oferta de produtos ou serviços às necessidades dos clientes e criar uma relação de proximidade com os mesmos.

Para o profissional, a aposta nesta área não pode estar desassociada de toda a atividade da empresa: “Tem de ser uma presença coerente com as ações que fazemos através de ‘email marketing’, de um sítio eletrónico e com o espaço físico da empresa, porque o ‘online’ e o ‘offline’ são complementares”.

“As redes sociais permitem manter o contacto, comunicar, estimular novas necessidades para o cliente regressar e todas essas situações têm de ser aproveitadas”, comentou.

O lançamento de um curso desta natureza em Faro está a ser encarado com expectativa, porque os responsáveis acreditam que, dada a dimensão do turismo naquela região, o ‘web marketing’ é fundamental.
Lusa

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