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Foto © Samuel Mendonça
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Terminou no passado sábado a cadeia ininterrupta de oração pelas vocações de consagração (tanto no sacerdócio, como na vida religiosa ou nos institutos seculares), promovida dia e noite, durante 15 dias, pela Igreja do Algarve.

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Iniciado no passado dia 1 deste mês, o Lausperene (adoração permanente ao Santíssimo Sacramento), uma das mais significativas iniciativas das que a Diocese do Algarve realiza no decurso de cada ano pastoral, concluiu-se desta vez na paróquia matriz de Portimão, depois de ter passado pelas paróquias que constituem as quatro vigararias da Igreja Católica algarvia, pelas suas comunidades, congregações, grupos e movimentos.

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Na missa de encerramento do Lausperene diocesano, que se seguiu à celebração vocacional na igreja matriz de Portimão, o padre Nelson Rodrigues alertou, na homilia, os muitíssimos jovens presentes para o “erro gravíssimo” de conduzirem a sua vida por “aquilo que o mundo diz que é normal”.

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“Afinal para onde é que eu caminho?”, “O que é que esperamos para a nossa vida?”, “Será que ainda é possível a felicidade na minha vida?”, “Será que ainda consigo ter, no caminho da minha felicidade, objetivos concretos que me levem a realizar como pessoa?”, foram as interrogações levantadas por aquele membro da equipa formadora do Seminário de Faro, entidade que promove anualmente aquela cadeia de oração, considerando que as pessoas só fazem estas perguntas em “situações limites”, nos momentos em que se confrontam com os “próprios defeitos” e com as consequências das suas ações.

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Neste sentido, alertou para um “elemento fundamental” que disse ser preciso nunca perder do horizonte. “A nossa vida é só esta. Não temos outra, por mais que, tantas vezes, vivamos a nossa vida como se houvesse muitas, ou, pensando até, que esta é para sempre. Só temos esta vida e podemos cometer o erro gravíssimo de conduzir a nossa vida por aquilo que os outros nos dizem, por aquilo que o mundo diz que é normal; de conduzir a nossa vida constantemente com uma máscara para não ser enxovalhado, gozado, criticado, maltratado e rejeitado. E conduzimos a nossa vida para alimentar uma felicidade dos outros e não pensamos em nós próprios”, advertiu.

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O sacerdote, que primeiro quis falar para os jovens, depois para os adultos e, por fim, para as crianças, lamentou que, tantas vezes, não se acredite que “Deus tem um projeto de felicidade para todos”. “É esta luz que se apresenta diante deste povo para voltar a acreditar que é possível a felicidade, apesar de o mundo nos mostrar o contrário. É este o trabalho que temos de fazer: fecharmos os nossos ouvidos, muitas vezes, ao único caminho que o mundo nos aponta, para abrirmos o nosso coração e torná-lo disponível para acolher o caminho que o Senhor nos aponta. Que caminho é este? É o caminho de cada um aceitar na sua vida a sua vocação”, destacou.

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Neste contexto, explicou que o sentido da vocação passa por não desistir de ser feliz, a “nota distintiva do ser cristão”. “O mundo quase que pode desabar em cima de nós, mas nós, porque temos connosco a pessoa de Jesus Cristo, temos uma esperança na nossa vida. E mesmo quando o mundo nos diz o contrário, nós dizemos: eu vou ser feliz”, afirmou, considerando que esta atitude “é difícil, mas é possível”. “É necessário que nós possamos ousar entrar neste caminho que é o caminho do evangelho para termos realmente uma plena realização de vida em cada um das nossas existências”, acrescentou, o sacerdote que exortou a “respostas firmes, sérias e definitivas” para a vida.

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Aos adultos da assembleia, que encheu por completo a igreja, alertou que a proposta à vocação consagrada compete, em primeiro lugar, aos próprios pais, “mais do que ao padre” e “do que aos catequistas”. “Que bonito será se, efetivamente, forem os pais a fazerem, pela primeira vez, esta proposta aos seus filhos. Que bonito seria! Significa que os pais estão mais interessados em ver o seu filho ou a sua filha felizes do que, propriamente, em agradar ao mundo”, considerou, acrescentando que ter uma vocação consagrada na família é não motivo de vergonha, mas de graça. “Que graça, na minha vida, Deus ter escolhido a minha família para entregar um sacerdote à Igreja! Quão grato eu devo ficar!”, exclamou.

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Lembrando que a Diocese do Algarve conta apenas com “poucas dezenas de padres” para servir 80 paróquias, o mais recente sacerdote da Igreja algarvia apelou à continuidade da oração pelas vocações consagradas. “Não se trata de negociar com Deus, mas de percebemos todos que esta é a coerência da nossa caminhada cristã. Queremos padres, peçamos padres ao Senhor. Não só pedir ao Senhor, mas estar disposto a aceitar que o Senhor chame alguém da minha própria família”, frisou, acrescentando que o consagrado abdica de “tantos amores” para acolher “um amor ainda maior: de uma vida totalmente entregue e gasta pelos outros, por Deus”.

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Às crianças, o sacerdote repetiu, de forma simplificada, a mensagem que dirigiu aos jovens, convidando-as a cantar uma música a Jesus que pediu que repetissem hoje nas suas escolas.

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Antes da missa, ainda durante a adoração ao Santíssimo Sacramento que contou com o testemunho vocacional do seminarista José Amarante, o padre Mário de Sousa, que presidiu às duas celebrações, pediu a Deus que passasse a “tantas portas”, tendo lamentado que já terá passado diante de muitas que não se lhe abriram, certamente por medo das consequências.

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O pároco da paróquia da matriz de Portimão bendisse a Deus por cada padre da diocese algarvia “que consagrou e entregou a sua vida por amor”, por cada um dos seminaristas “que não tiveram medo de ser pôr a caminho para discernir a vontade de Deus” e por tantos jovens na vida de quem Deus passa. “Não fechemos a nossa vida Àquele que é a razão de ser de a termos e sejamos generosos com Ele que é tão generoso connosco”, pediu no final da eucaristia.

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