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Em declarações à Agência Lusa, Francisco Amaral explicou que o apoio a estes munícipes foi feito através de "uma parceria entre a câmara, a misericórdia de Alcoutim e a empresa Acústica Médica, que deu as consultas e forneceu os aparelhos".

"Um aparelho custa 600, 1000 ou 1500 euros. Mas o escândalo é que se, você for beneficiário da ADSE, SAMS ou das Forças Armadas, pertence à classe média e o estado comparticipa 60 por cento, e bem, na compra de aparelhos. Se for um reformado aqui do campo, que aufere uma pensão miserável de 200 euros, num aparelho de 1000 euros o estado comparticipa 22 euros", criticou Amaral.

O autarca questionou "como é que um velhote destes pode comprar um aparelho" e salientou que havia idosos que "nem sequer sabiam que era possível dar a volta a isto, porque interiorizavam a sua surdez, diziam que era o destino e pensavam que era para o resto da vida”.

"Além de viver num monte, isolado, vivia isolado dentro da própria habitação, porque não falava com a mulher. Isto era o pão-nosso de cada dia aqui em Alcoutim", lamentou.

Amaral frisou que havia “pessoas mais evoluídas que compravam o aparelho a prestações e outras faziam empréstimos bancários que levavam anos a pagar", mas havia também "pessoas sem escrúpulos que ludibriavam os idosos vendendo aparelhos que não funcionavam".

"Perante este cenário, resolvi dizer chega! A câmara fez uma parceria com a Misericórdia de Alcoutim, que consultou várias empresas, e as melhores condições foram oferecidas pela Acústica Médica, que montou um gabinete, com cabine insonorizada, nas instalações da Santa Casa e vem todas as semanas um técnico aqui dar assistência", explicou.

Francisco Amaral diz que assim a autarquia "resolveu o problema a 191 pessoas, a maior parte com surdez severa, outras com surdez ligeira".

"Resolvemos o caso de muita gente e acabou-se com a surdez no concelho de Alcoutim", afirmou.

Lusa

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