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Francisco Amaral explicou que Alcoutim tem “uma centena de povoações dispersas pelo nordeste algarvio, algumas delas já completamente abandonadas”, mas neste momento está a verificar-se “um fenómeno interessante, que é o regresso dos filhos à terra”.

O autarca acrescentou que estas pessoas que estão agora a voltar são pessoas que deixaram o concelho para fazer vida em Lisboa, Faro ou noutros pontos do litoral e agora estão a regressar para passar os últimos dias de vida, a sua reforma, na terra que os viu nascer.

“No caso particular do monte dos Matos, que estava abandonado, há duas famílias que querem voltar. A autarquia, que luta desesperadamente contra a desertificação e o despovoamento, vê neste caso particular uma oportunidade e vai investir para eletrificar um monte que estava abandonado e onde há largos anos não morava ninguém”, explicou o autarca.

Francisco Amaral disse que o custo da eletrificação, que deixará o concelho todo coberto com luz elétrica, “é dividido pela câmara e a EDP”, mas sublinhou que vê nessa despesa uma oportunidade. “Trata-se de um investimento, não de um gasto, porque se perspetiva que possam vir mais pessoas e famílias para aquele monte, que fica situado perto de Alcaria Cova, onde há turismo de habitação, e perto da aldeia do Pereiro”, acrescentou.

O contexto atual de crise também é um fator que permite o regresso de pessoas ao município que mais população perdeu nos últimos 10 anos, de acordo com os últimos Censos, e o autarca exemplifica com a estalagem de Alcoutim, onde “pela primeiríssima vez em muitos anos passou a haver só alcoutenejos a trabalhar”.

“A estalagem de Alcoutim é da câmara, está concessionada, com obrigatoriedade de empregar 75 por cento do concelho, mas durante muitos anos o concessionário nunca obedeceu a esse desiderato. Chegou a dizer várias vezes que as pessoas de Alcoutim preferiam ir trabalhar para Monte Gordo, Albufeira, e por isso sempre houve brasileiros, romenos, russos, na estalagem”, contextualizou, congratulando-se com a inversão dessa tendência.

O autarca considera, por isso, que “este cenário de crise também faz com que os filhos regressem à terra”, porque “vão para o desemprego em Faro, no litoral algarvio, em Lisboa, e a vida em Alcoutim é mais barata e há mais oportunidades de emprego”.

Francisco Amaral justificou esta declaração com os números recolhidos pela autarquia que dão conta da existência de “mais de 700 postos de trabalho no concelho”, num universo de uma população de 2.900 habitantes. “Penso que é um rácio interessante. E daí o facto de ser o concelho do país com menos desemprego”, afirmou.

Liliana Lourencinho com Lusa

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