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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A Câmara de Lagos distinguiu ontem à tarde, com a Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro, a comunidade algarvia da Congregação do Santíssimo Redentor (redentoristas), presente há 50 anos na cidade.

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A homenagem teve lugar no Centro Cultural de Lagos, após a manhã com a cerimónia de hastear das bandeiras na praça Gil Eanes, a eucaristia no Jardim da Constituição, junto à porta e nicho de São Gonçalo, e a procissão até ao porto (junto à Docapesca) onde foi feita a bênção das embarcações, presididas pelo bispo do Algarve.

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A autarquia explicou que as medalhas ontem atribuídas visam distinguir “individualidades e entidades do concelho que se notabilizaram em diversas áreas e que constituem um exemplo que merece ser reconhecido”.O novo presidente da Câmara de Lagos, que ontem presidiu ao primeiro ato público naquela qualidade – substituindo Joaquina Matos (eleita deputada pelo círculo do Algarve nas últimas eleições legislativas) – destacou a notabilidade “regional, nacional e internacional” dos homenageados. “[São] personalidades e instituições que em muito dignificam a nossa terra e muito têm contribuído para a elevação de Lagos enquanto o município”, afirmou Hugo Pereira.

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“A Câmara Municipal e a Assembleia Municipal de Lagos deliberaram conceder a medalha de Mérito Municipal, grau ouro, em atenção, homenagem e reconhecimento à dedicação e altruísmo depositados em todo o trabalho desenvolvido a favor da comunidade à Congregação do Santíssimo Redentor – Missionários Redentoristas em Lagos”, acrescentou a edilidade.

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No vídeo de apresentação, a autarquia lembrou que os “destinatários preferenciais” da missão dos padres redentoristas têm sido “os pobres, fazendo deles companheiros e parceiros”. “Foi a 11 de outubro de 1969 que o então bispo do Algarve D. Júlio Rebimbas confiou à congregação o cuidado das paróquias de Santa Maria de Lagos, Nossa Senhora da Luz, Bensafrim, Barão de São João, Barão de São Miguel e Budens,uma missão então considerada como um desafio por permitir estar mais perto das necessidades das pessoas”, recordou a apresentação, acrescentando que “os escolhidos para essa importante missão foram os padres José Paulo Fernandes, Faustino Caldas Ferreira e António Ferreira”, este último regressado ao Algarve em 2012 e ontem também presente na cerimónia.

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A Câmara de Lagos destacou a fundação em 1971 do “Nosso Jornal”, posteriormente renomeado de “Farol do Sul”, editado até 1998. “Em finais de 2015 foram confiadas à congregação as paróquias de São Sebastião e Odiáxere. Atualmente dão corpo e alma a esta missão os padres Abílio Almeida, António Ferreira, Silvério da Silva Rato e Eugeniusz Fasuga, que exerce as funções de coordenador da comunidade. Todos trazem na bagagem o percurso de trabalho como missionários, desenvolvido em comunidades em Portugal, África, América do Sul e por esse mundo fora, que não se limita ao espaço físico e geográfico das paróquias”, acrescentou a autarquia na cerimónia que contou com a atuação da fadista Marta Alves, acompanhada por Ricardo Martins na guitarra portuguesa e Bruno David na viola, e da Escola de Dança de Torres Vedras, cidade geminada com Lagos.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
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Foi ainda destacado que “nos tempos da última crise económica, só em Lagos chegaram a apoiar regularmente mais de 180 pessoas que procuravam a sua ajuda”. “Meio século depois, a família de missionários redentoristas lacobrigense continua com o claro intuito em querer entusiasmar tudo e todos para a prática da evangelização e dinamizar as comunidades cristãs locais”, aditou a apresentação.

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No vídeo, o bispo do Algarve classificou aqueles missionários como “obreiros silenciosos do evangelho”. “É um silêncio fecundo, muito eficaz,do qual estão agora a colher os frutos possíveis e desejáveis”, acrescentou D. Manuel Quintas, realçando a sua “maneira de ser de estar e de servir todo o município de Lagos, seja nas cidades, seja nas periferias e nos lugares mais distantes do centro, procurando criar centros de culto à medida das populações”. “A experiência missionária do padre Almeida, que é aquele que está aqui nestes anos todos, cativou-me sempre e de maneira particularpelo seu estilo, dedicação, doação e serviço aos mais pobres”, acrescentou.

O prelado considerou a homenagem “muito merecida”. “É com muita alegria que eu, como o bispo, e a diocese toda do Algarve se une nesta justa homenagem aos missionários redentoristas pelos 50 anos da sua presença e do seu serviço aos mais diversos níveis”, complementou, lembrando que os vários sacerdotes redentoristas que passaram pela comunidade algarvia, “cada um deles deixou a sua marca e constituíram um grande enriquecimento seja para o município de Lagos, seja para a Diocese do Algarve”.

Uma paroquiana realçou que a congregação tem como objetivo “viver para os pobres, viver com os pobres e dar a vida pelos pobres”. “Eles transmitem-me isso. E nós, comunidade, temos feito um esforço nesse sentido. Eles têm sido incansáveis para nos formar no conhecimento da palavra com debates conferências e pessoas que se chamam e, sobretudo, com as missões populares, uma vertente dos missionários redentoristas”, acrescentou, explicando que os sacerdotes “vêm às comunidades e contactam com o povo, mesmo aqueles que não vão à igreja, fazem assembleias familiares em casa das pessoas”, onde se debatem “temas sociais”. “Depois convidam-nos a ir à igreja e aí vamos ouvir a palavra de Deus”, sustentou, garantindo que as três paróquias de Lagos“vivem em comunhão perfeita e isso deve-se à ação dos redentoristas”.

Após a entrega da medalha pelo presidente da Câmara e pelo presidente da Assembleia Municipal aos padres Abílio Almeida e Rui Santiago, superior provincial do Missionários Redentoristas, o primeiro sacerdote agradeceu aos lacobrigenses pelo acolhimento que lhe prestam há 22 anos. “Quando entrei aqui em Lagos, vim para três meses. Não estou arrependido. Obrigado pela vossa paciência e virtude”, afirmou.

O padre Rui Santiago, que também agradeceu ao município e à cidade “em nome de tantos missionários redentoristas que passaram” por aquele concelho explicou que aquela medalha foi “recebida como um momento de compromisso da congregação”.

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Na cerimónia foram ainda distinguidos com a Medalha de Mérito Municipal, grau ouro, o médico Luís Afonso e com a Medalha de Mérito Municipal, grau prata, Jorge Augusto Mealha Costa, escultor e ceramista, Hélio Nunes Xavier, José Inácio Seromenho, atleta de tiro com armas de caça, a Ourivesaria Coimbra e o Restaurante Reis.

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