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Câmara de Loulé e Universidade de Lisboa vão estudar sítio de Loulé Velho

A Câmara de Loulé e o Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa vão começar a estudar o sítio de Loulé Velho, ao abrigo de um protocolo surgido de uma colaboração prévia para produzir uma exposição, disse uma investigadora.

Loulé Velho localiza-se na costa algarvia, entre a localidade de Quarteira e o empreendimento turístico de luxo de Vale do Lobo, e a investigação prevista no protocolo entre o município algarvio e a universidade pretende fazer “a história do sítio, do que resta do sítio arqueológico, que tem vindo sucessivamente a ser destruído pela ação natural do avanço da linha de costa”, explicou a professora Catarina Viegas, do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa.

A mesma fonte destacou que o protocolo foi assinado no domingo no Museu Nacional de Arqueologia, por ocasião da cerimónia que assinalou um ano sobre a inauguração da exposição “Loulé: Territórios, Memórias, Identidades”, que reflete os 7.000 anos de história do concelho algarvio, preparada através de uma colaboração prévia entre as partes e que contou já com 180.000 visitas, número considerado “fantástico” pelo diretor do museu, António Carvalho.

“Fazia sentido prolongar o espírito desta exposição e de todo o trabalho ali realizado e desenvolvê-lo nesta vertente também de investigação, na componente da arqueologia, neste caso concreto para o período romano e focarmo-nos no sítio de Loulé Velho”, afirmou Catarina Viegas.

A investigadora espera também contar com a colaboração cidadã nesta investigação, porque se trata de uma zona costeira que se tem degradado pelo avanço do mar, mas tem “vindo a ser objeto de muitas recolhas por pessoas transeuntes”.

Catarina Viegas disse que há “muito material acumulado, também de intervenções que foram pontualmente feitas” no passado, tanto no Museu Municipal de Loulé, como no Museu Nacional de Arqueologia, e a investigação pretende “resgatar um pouco a história daquele sítio” e “salvaguardar neste caso o sítio pelo conhecimento”.

Paralelamente, os investigadores vão também centrar-se na questão do avanço da linha de costa, porque se trata, disse a investigadora, de uma localização “próxima da ribeira da Carcavais, um paleoestuário”, e por isso é necessário “perceber qual é a envolvência e o sistema de povoamento naquela área”.

Catarina Viegas disse ainda que o protocolo prevê que a autarquia de Loulé disponibilize “apoio logístico aos trabalhos” e forneça “determinados componentes da investigação que exigem realmente meios financeiros” dos quais o centro não dispõe, como “uma prospeção geofísica” ou uma “campanha de tratamento de materiais no laboratório”, exemplificou.

Vítor Aleixo, presidente da Câmara de Loulé, considerou também que o protocolo vai dar à autarquia “orientação científica” para projetos, que podem no futuro ser alargados a “outras localidades do concelho que estão ainda pouco estudadas” em termos arqueológicos.

O diretor do Museu Nacional de Arqueologia, António Carvalho, falou à Lusa sobre a exposição “Loulé: Territórios, Memórias, Identidades” e disse que a mostra – que celebrou no domingo, dia em que foi assinado o protocolo, o primeiro ano de exibição – “já recebeu prémios nacionais, como melhor catálogo ou melhor parceria, e tem recebido muitas distinções, tem tido muito público”.

António Carvalho considerou que a exposição “tem sido um êxito” e, apesar da “forte vinculação a território de Loulé”, permite também fazer uma “radiografia de Portugal”.

“É Portugal em miniatura, porque são 7.000 anos de história nos quais podemos mostrar muitas épocas histórica que estão presentes também em outros pontos do país”, afirmou o diretor do museu, dando o exemplo da escrita de sudoeste, que “é um tema nacional” porque se trata de “uma das mais antigas da Europa e a mais antiga da Península Ibérica”.

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