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Em nota de Imprensa a Câmara Louletana informa que o programa das comemorações arranca esta segunda-feira, 29 Novembro, pelas 21h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, com a Conferência “O Dia dos Prodígios como Espelho de um País e de uma Identidade”, apresentada pelo ensaísta Eduardo Lourenço, no âmbito do ciclo “Horizontes do Futuro”, e que contará com a presença da Lídia Jorge.

Já em Dezembro, no dia 11, pelas 15h00, no Convento de Santo António, é inaugurada a Exposição “O Dia dos Prodígios. Lídia Jorge. 30 anos de Escrita Publicada”. Neste momento haverá uma breve apresentação por José Carlos Vasconcelos. Refira-se que esta iniciativa estará patente ao público até 31 de Março.

E no dia 15 de Dezembro, na Universidade do Algarve, será atribuído o Doutoramento Honoris Causa a Lídia Jorge, como reconhecimento pelo contributo para a Literatura Portuguesa.

“Existe uma Escrita do Sul?” é o tema de um Encontro com Escritores do Algarve agendado para 11 de Janeiro de 2011, pelas 18h00, no Convento de Santo António. Nesta iniciativa, para além de Lídia Jorge, participam Nuno Júdice, Gastão Cruz e Fernando Cabrita. A moderação está a cargo de Carina Infante do Carmo.

O Cineteatro Louletano, que será inaugurado no início do ano, recebe a exibição do filme “A Costa dos Murmúrios” de Margarida Cardoso, realizado a partir do romance homónimo de Lídia Jorge. Esta sessão decorre a 20 de Fevereiro, pelas 16h00.

É também no Cineteatro que a Orquestra do Algarve sobe ao palco a 26 de Fevereiro, pelas 21h30, a apresentar o concerto “30 anos de Escrita Publicada. Lídia Jorge”.

João Minhoto Marques, António Carlos Cortês e Paulo Serra são os participantes na conferência “A Escrita de Lídia Jorge aos Olhos da Crítica Literária”, agendada para 11 de Março, pelas 18h00, no Convento de Santo António. A moderação está a cargo de Petar Petrov.

Para 18 de Março, às 19h00, no Convento de Santo António, está agendado um Encontro de Tradutores Literários. “Será que o nosso Imaginário Interessa aos Europeus?” é o tema desta iniciativa que contará com a participação de Karin von Scweder e Pierre Léglise Costa. A moderação estará a cargo de Pedro Ferre.

No encerramento das comemorações do 30º aniversário da publicação desta obra, a 27 de Março (Dia Mundial do Teatro), pelas 21h30, o Teatro da Trindade sobe ao palco do Cineteatro Louletano para apresentar a peça “O Dia dos Prodígios”, encenada por Cucha Carvalheiro, com direcção musical de Carlos Mendes, e que conta no elenco com Carlos Paulo, Cristina Cavalinhos, Elisa Lisboa, Diogo Morgado, Filomena Cautela, Hugo Franco, Lucinda Loureiro, Luís Lucas, Maria Ana Filipe, Maria Emília Correia, Maria Teresa Faria, Rogério Vieira

Este programa de actividades promovido pela Câmara de Loulé, conta com o apoio da Universidade do Algarve, INUAF – Instituto Superior Dom Afonso III e Editora D. Quixote.

Publicado pela primeira vez em 1980, “O Dia dos Prodígios” foi o romance de estreia da autora.

Lídia Jorge nasceu no Concelho de Loulé, freguesia de Boliqueime, no ano de 1946. Licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, foi professora do ensino secundário e leccionou Didáctica da Literatura na Universidade de Lisboa. Como professora, passou alguns anos decisivos em Angola e Moçambique, durante o último período da Guerra Colonial. A passagem por África foi um dos grandes contributos para a sua criação literária.

A publicação do seu primeiro romance, “O Dia dos Prodígios” (1980), uma alegoria ao país fechado e parado que Portugal era sob o regime anterior à Revolução de Abril de 74, constituiu um acontecimento num período em que se inaugurava uma nova fase da Literatura Portuguesa, e Lídia Jorge foi de imediato saudada como uma das mais importantes revelações das letras portuguesas e uma voz renovadora do seu imaginário romanesco. Ao longo das suas 206 páginas, o livro relata a história de uma comunidade do Sul de Portugal, isolada e desentendida, em face das mudanças ocorridas com a Revolução dos Cravos, cuja mensagem não é capaz de acompanhar. Nesse embate entre o anúncio de um mundo aberto que vem de fora, personificado num grupo de soldados revolucionários, de bandeiras desfraldadas sobre uma chaimite, e o mundo rural, recuado e mágico em que vivem, as personagens de Vilamaninhos – aldeia mítica onde se desenrola a acção – contam as suas histórias particulares, mas acima de tudo revelam um comportamento colectivo que muitas vezes tem sido apontado como a síntese da forma de ser português.

Seguiram-se “O Cais das Merendas” (1982) e “Notícia da Cidade Silvestre” (1984), ambos distinguidos com o Prémio Literário Cidade de Lisboa. Mas foi com “A Costa dos Murmúrios” (1988), que a autora confirmou o seu destacado lugar no panorama das Letras portuguesas, sendo considerada hoje em dia como uma das romancistas de maior sucesso na literatura portuguesa contemporânea.

Recebeu vários prémios literários, entre eles, o Prémio Dom Dinis da Casa de Mateus, Prémio Pen Clube de Portugal, Prémio Jean Monet da Literatura, Prémio Correntes d’ Escritas e Grande Prémio do Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. Em 2006 a autora foi distinguida na Alemanha, com a primeira edição do Albatroz, Prémio Internacional de Literatura da Fundação Günter Grass, atribuído pelo seu livro "O Vento Assobiando nas Gruas”, que também foi distinguido com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores e, em Novembro de 2007, com o romance “Combateremos a Sombra”, foi-lhe atribuído o Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores/Millenium BCP.

Os seus livros encontram-se publicados no Brasil e estão traduzidos em diversas línguas, nomeadamente inglesa, francesa, alemã, holandesa, espanhola, sueca, italiana, grega e constituem objecto de estudo nos meios universitários portugueses e estrangeiros, tendo-lhe sido dedicadas várias obras de carácter ensaístico. É colaboradora de vários jornais e revistas e tem integrado diversos júris de prémios literários. Foi também membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.

Folha do Domingo/C.M.L.
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