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Ainda antes da cerimónia, que decorreu na Escola D. Dinis, os jovens começavam por dar o exemplo do que se pretende para Quarteira, com a limpeza das paredes da escola e do pavilhão. E já durante a assinatura do protocolo, Nuno Viegas, elemento do Grupo, explicou aos seus companheiros, de uma forma simples e sucinta, em que consiste este “negócio”: “Nós queremos espaços para pintar e eles (Câmara e Junta de Freguesia) querem Quarteira limpa. Vamos tentar chegar a um acordo e cumprir a nossa parte. Ao fim de um ano, se uma das partes falhar volta tudo à estaca zero e nós perdemos estes espaços!”.

Todos os objectivos desta parceria vão de encontro aos princípios do próprio Grupo, que passam por promover os graffiti como forma de arte expressiva; estimular o interesse pela criação artística; incentivar o espírito de entreajuda responsável e consciente; explorar novos meios de expressão; alertar que existem espaços inutilizados que através do graffiti podem dar cor à cidade; incentivar os jovens a praticar o seu gosto pela arte, de forma correcta, sem cometerem actos de vandalismo ou degradação do património público e/ou privado;

Da parte da edilidade, o vereador Aníbal Moreno, deixou bem clara a ideia de que “arte mural e graffiti é uma coisa, vandalismo é outra” e salientou o facto de que Quarteira vive fundamentalmente das receitas do turismo e, nessa medida, é fundamental ter uma boa imagem. “Vivemos do turismo e se não cuidarmos destes espaços para que as pessoas venham cá, vamos passar muito mal”, explicou este representante da Autarquia.

Quanto ao protocolo, este membro do executivo explicou que os “Espaços Graffiti” serão cedidos “exclusivamente ao Grupo Policromia”, para serem pintados. “São eles que vão responder pela gestão daquele espaço e que são responsáveis por autorizar quem pode ou não pintar ali. Não há aqui nenhuma forma de discriminação porque se outros grupos quiserem organizar-se e falar connosco para ter um espaço estamos disponíveis”, afirmou.

Deste modo, quem quiser ter autorização do Grupo para pintar no espaço que lhes foi cedido terá de se inscrever. A Câmara fará a emissão de cartões de identificação para que os jovens possam praticar a sua arte sem qualquer interferência da GNR.

Em relação às regras impostas pelo protocolo, os artistas não deverão integrar conteúdos moral ou socialmente incorrectos. Não será permitido efectuar qualquer alteração estrutural no espaço, nem danificar o trabalho de outros artistas assim como espaços públicos e privados que não estejam legalizados. Os jovens deverão deixar o espaço limpo após utilização do mesmo.

O elemento cuja inscrição seja aceite pelo grupo poderá pintar juntamente com um artista que não tenha autorização nos locais cedidos, desde que este não pertença à cidade de Quarteira.

Os intervenientes têm o dever ético e moral de preservar a integridade visual da cidade de Quarteira tal como o dever de comunicar às autoridades competentes o incumprimento deste regulamento.

Neste momento o “Espaço Graffiti”, onde o Grupo Policromia estará autorizado a manifestar a sua arte, integra zonas como o muro do Estádio de Futebol de Quarteira e túnel sob a rua de acesso a Vilamoura. Mas no futuro poderá ser alargado a outras zonas.

Aníbal Moreno disse ainda que esta iniciativa surge também no âmbito do Projecto “Mancha Branca” que arrancou há cerca de um mês, e que passa pela limpeza de todos os espaços públicos do Concelho. Por isso, deixou claro que todos os edifícios e espaços públicos que não estejam demarcados como “Espaços Graffiti” serão alvo das trinchas e pincéis da “Mancha Branca”.

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