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O município algarvio foi muito afetado pelo fogo que deflagrou a 18 de junho de 2012 em Cachopo, no concelho vizinho de Tavira, o outro concelho que viu grande parte do território da serra do Caldeirão ser devastado ao longo dos quatro dias do sinistro.

Vanessa Sousa, coordenadora técnica do plano Lara – plano pós-incêndio em São Brás de Alportel -, explicou à Agência Lusa que o trabalho realizado no último ano tem sido “intenso pela quantidade de respostas a dar, mas também em temos emotivos”, porque a população perdeu tudo e “quando se resolve uma situação há uma outra que bate à porta”.

A responsável do plano Lara revelou que a reconstrução de habitações ardidas, ao abrigo do Contrato Local de Desenvolvimento Social celebrado pelo Governo com o Centro de Cultura e Desporto dos Trabalhadores da Junta de Freguesia e da Câmara de São Brás, “era para terminar em setembro”, mas “deve prolongar-se até ao fim do ano” devido “ao atraso do próprio Estado na disponibilização de verbas”.

Vanessa Sousa sublinhou que o território da serra algarvia tem uma realidade específica, com muitos herdeiros e registos de propriedade antigos e sem escritura, o que obrigou os técnicos a intervir para proceder à sua legalização.

“A determinada altura, tomámos os papéis de solicitadores e começámos a desenvolver todos os esforços para que as casas se legalizassem, porque não estava em causa a propriedade, as casas eram das pessoas, mas na maior parte dos casos só estavam registadas nas Finanças e era preciso ter uma certidão da conservatória e fazer uma escritura”, acrescentou.

A responsável do Plano Lara disse ainda que houve cerca de 70 anexos e habitações que arderam, mas só 18 foram alvo de apoios e esta é “uma ínfima parte da destruição” na serra.

Vanessa Sousa lamentou que quem perdeu hortas, anexos com alfaias agrícolas ou animais não possa ser apoiado com verbas da Segurança Social e que os fundos disponibilizados pelo Ministério da Agricultura para reposição do potencial produtivo “só se destinem a produtores agrícolas”.

“O Ministério da Agricultura, a apoiar, apoia produtores agrícolas. Há uma necessidade de compreensão sociológica destes contextos rurais antes de se planear este tipo de intervenção”, frisou, sublinhando que muitas das pessoas atingidas vivem da terra e veem a “horta como uma extensão da casa”.

No seu entender, é tão lícito apoiar a construção de uma cozinha como a de um palheiro, essencial para o dia-a-dia. O Ministério da Agricultura, acrescentou, tem instrumentos, mas estão “claramente direcionados para os produtores agrícolas e estas pessoas não são produtoras agrícolas”.

A Lusa tentou contactar o presidente da Câmara de São Brás de Alportel, o que não foi possível até à tarde de hoje.

Lusa

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