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Museu_cortica_silvesA Câmara de Silves quer classificar como interesse municipal o espólio do Museu de Cortiça de Silves, encerrado em 2010, e está a analisar a possibilidade de aquisição do espólio e edifício, disse à Lusa a presidente Rosa Palma.

“O primeiro passo a dar penso que seja declarar o interesse municipal do espólio”, afirmou Rosa Palma (CDU).

A autarquia pretende deste modo evitar a separação entre o espólio e o edifício uma vez que já anteriormente tinha dado interesse municipal ao edifício.

A 30 de maio, o espólio e o edifício foram alvo de disputa em leilão público em que a Câmara Municipal de Silves participou, sem ter conseguido adquirir o espólio, vendido ao Grupo Nogueira por 36 mil euros, enquanto que os edifícios desativados da Fábrica do Inglês foram adquiridos pela Caixa Geral de Depósitos por 2,2 milhões de euros.

“É de conhecimento geral que até no dia do leilão ofereci logo o mesmo valor ao Grupo Nogueira para adquirir” o espólio, comentou Rosa Palma, sublinhando que tem vindo a ter reuniões com o grupo com vista à aquisição do espólio museológico, embora também pondere a hipótese de compra do próprio edifício.

Observando que o edifício tem interesse não só para o concelho como para o país e que o mesmo devia ser “domínio público”, Rosa Palma admitiu, contudo, que se trata de um processo complexo, que envolve milhões de euros.

Construída sobre uma antiga fábrica de cortiça, a Fábrica do Inglês, complexo de animação turística fundado em 1999, albergava o Museu da Cortiça e espaços de restauração e espetáculos, mas faliu e desde há cinco anos que está abandonada, tendo sido alvo de furtos de cobre e de outro material.

O espólio do museu é composto por máquinas únicas no mundo, outros equipamentos, entre outros, que remontam ao período em que Silves era a capital nacional da indústria corticeira.

Ao jornal Sul Informação, o administrador do Grupo Nogueira afirmou que a aquisição do espólio pelo grupo permitiu preservá-lo melhor e impediu um alegado “convénio” que teria sido acordado entre a autarquia e a Caixa Geral de Depósitos que passaria pela autorização de um supermercado Aldi no espaço em troca da cedência do espaço do museu à câmara.

Rosa Palma afirmou-se indignada com as afirmações feitas pelo Grupo Nogueira e rejeitou qualquer pacto com a Caixa Geral de Depósitos.

Quanto à destruição que o espaço foi alvo, a presidente da Câmara de Silves garantiu que desde 2010, altura em que o Museu fechou, “nem um vidro estava partido, agora com esta situação do leilão foi tudo vandalizado” durante o trabalho do grupo leiloeiro.

A incerteza sobre o futuro do Museu da Cortiça de Silves, encerrado em 2010, está a preocupar a Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial (APAI), que marcou uma concentração pública frente à antiga Fábrica de Cortiça para esta sexta-feira de manhã.

À agência Lusa, o presidente da APAI, Jorge Custódio, explicou que a ação de informação e repúdio visa alertar para a importância daquele museu, eleito em 2001 “Melhor Museu Europeu” na categoria de património industrial, e perceber as intenções das entidades privadas que adquiriram o espaço físico e o espólio em leilão.

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