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Um plano de médio prazo, envolvendo comunidade académica e científica, autarquia e Governo, é a melhor forma de estudar, preservar e valorizar os vestígios arqueológicos da cidade romana de Balsa, no concelho de Tavira, defendeu o presidente da Câmara.

Jorge Botelho, presidente da Câmara de Tavira, explicou à agência Lusa que a visão do executivo municipal para preservação dos vestígios arqueológicos de uma cidade romana com mais de 2.000 anos – soterrados numa área agrícola privada na Torre D’Aires, na freguesia de Luz de Tavira – passa pela adoção de um plano “que pode durar alguns anos”, mas “ter resultados bastante aceitáveis” para haver “mais um ponto de interesse no Algarve”.

O autarca lembrou que a Direção Regional de Cultura do Algarve propôs uma ampliação da Zona Especial de Proteção (ZEP) dos vestígios arqueológicos de Balsa, disse que o executivo “concorda com o aumento” proposto, mas defendeu que, após a ampliação dessa zona para uma área “quatro vezes maior”, deve ser adotado “um plano específico, juntando comunidade académica, científica, as autarquias e o Estado” para estudar e valorizar esse património.

Foto © Luís Forra/Lusa

Jorge Botelho considerou que é necessário saber com rigor o que existe debaixo do solo e que, segundo arqueólogos e especialistas, corresponde aos vestígios de uma cidade romana portuária de entre o século I antes de Cristo e o VI depois de Cristo, com influência no sul da Península Ibérica.

“Agora também defendemos que tem de ser um plano integrado e consistente no tempo, não pode ser fazer arqueologia agora e depois parar porque, se não tivermos um plano consequente, com centro interpretativo, as coisas serão delapidadas e é isso que nós não queremos. A segurança de Balsa atualmente é que está enterrada, quando ela vir a luz do dia tem que estar segura”, alertou.

Jorge Botelho afirmou que não houve ainda “uma avaliação sistemática, consistente e sistémica, do início até ao fim”, e apenas foram feitas avaliações arqueológicas espaçadas no tempo que permitem dizer “que a cidade está debaixo”, mas “sem saber qual é a dimensão”.

O último estudo foi feito no ano passado, observou o autarca, por determinação da Direção Regional da Cultura, depois de o proprietário dos terrenos querer instalar estufas agrícolas e as autoridades embargarem os trabalhos.

Depois da avaliação, a direção propôs a ampliação da ZEP dos vestígios arqueológicos de Balsa e a empresa acabou por desistir da instalação de estufas “para plantar ervas aromáticas ao ar livre”, segundo o autarca de Tavira.

Jorge Botelho não lhe parece que a propriedade privada desses terrenos possa complicar o desenvolvimento do projeto que defende, mas frisou que é preciso o envolvimento de todos os parceiros, entre eles o Governo central, para “acesso a fundos, nacionais ou estrangeiros”.

“Os particulares têm um terreno em cujo subsolo poderá estar uma cidade romana, ao ver a luz do dia, têm que se ressarcidos pelo valor desses terrenos. Parece-me uma coisa simples em processos administrativo, expropriações”, afirmou.

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