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A Agência Lusa esteve na escola Básica integrada da sede de concelho e acompanhou uma turma do 3º e 4º anos durante a distribuição de frutas e legumes aos alunos, que encaram a iniciativa com um misto de aprendizagem e brincadeira, natural em crianças de oito anos e nove anos.

"O resultado tem sido bastante positivo. Todas as terças e quintas feitas, no horário de saída, tem-lhes sido oferecida fruta. Contribui para que eles aprendam a perceber o que é uma alimentação saudável", explicou a professora, Graça Calvinho.

A docente disse pretender-se "que os alunos percebam o que é importante para uma alimentação saudável, porque muitos deles não têm adquirido o hábito de comer fruta regularmente e o lanche baseia-se geralmente em doces, em sumos".

"Com estes princípios que estamos a introduzir, os alunos estão cada vez a consciencializar-se mais do que faz parte de uma boa alimentação", adiantou a professora, frisando que "há alguns hábitos que ainda têm que ser corrigidos".

"Os legumes distribuídos têm sido cenouras e a experiência diz-me que eles preferem mais o legume do que a fruta", explicou a docente, que ainda não distribuiu tomate, outro dos legumes previstos pelo Regime, "porque houve receio", mas espera vir a fazê-lo através "do tomate cherry, que não será um tomate tão sumarento e eles consumirão melhor".

A professora garantiu que os alunos "aceitam bem" a iniciativa e "é com alguma expetativa que eles aguardam por este momento do final do dia em que é distribuída a fruta".

As crianças já estão conscientes de algumas necessidades, como Ana Simão, que afirmou "dever-se comer uma alimentação variada, muitos vegetais, fruta" e não comer "gordura, doces ou chocolates" em excesso.

Laura Bárbara disse saber que "a fruta é essencial para a alimentação e deve-se ter uma alimentação variada" e não abusar de "Gelados, bolos, chocolates, doces", enquanto Ruben Amaro afirmou que "o que se deve comer mais vezes é a fruta e legumes", admitindo que "só comia às vezes".

O presidente da câmara de Alcoutim, que não conseguiu cumprir as exigências da diretiva comunitária de apoio à iniciativa e suporta os seus custos, lamentou que "se façam leis em Bruxelas que depois não têm aplicabilidade no mundo real".

"Tentámos iniciar a candidatura a esta iniciativa, que era salvo erro uma parceria dos ministérios da Agricultura e da Educação, mas a diretiva de Bruxelas tinha exigências de tal maneira incomportáveis para um município como Alcoutim, porque a fruta tinha que estar certificada", explicou Francisco Amaral, acrescentando que "em Alcoutim há muita fruta biológica, mas não é certificada".

O autarca considerou que "as exigências era tão disparatadas para o município" que acabou "por desistir" dos benefícios, que "não eram por aí além", porque havia uma comparticipação no pagamento dessa fruta e pouco mais", mas achou que valia a pena custear o programa e prevê alargá-lo do primeiro ciclo para todos os alunos das escolas do concelho no próximo ano.

Lusa

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