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© Samuel Mendonça

Foi benzida e inaugurada no último domingo a Cantina Social da Cáritas Paroquial da matriz de Portimão, uma nova valência daquela instituição que passou a fornecer desde ontem 20 refeições diárias em regime de take away.

“Há gente, sobretudo neste centro histórico da cidade, que passa dias e dias sem uma refeição quente. Era necessário que os cristãos e as pessoas de boa vontade olhassem também com misericórdia para estes nossos irmãos, pessoas que, pela idade, pela doença e por dificuldades económicas, passam mal”, justificou o pároco da paróquia matriz de Portimão na cerimónia de domingo, lembrando que “a pessoa humana deve ser respeitada na sua dignidade acima de tudo, como o fim de tudo e como a origem de tudo”.

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© Samuel Mendonça

O padre Mário de Sousa recordou que “há quatro anos, quando começaram a chegar à paróquia tantas pessoas desesperadas porque se encontravam em situação em que nunca se tinham visto de desemprego e já de miséria, naturalmente que a Igreja não podia ficar insensível”. “Era preciso lançar mãos à obra e dar resposta concreta a estes nossos irmãos que, com filhos, já não tinham nada para lhes dar”, complementou, contextualizando a criação da Cáritas paroquial, “grupo que, infelizmente, teve necessidade de ir crescendo porque iam crescendo as necessidades”. “Neste momento, auxilia mais de 200 famílias todos os meses, o que significa que abrange um universo mais ou menos de 700 pessoas”, informou o sacerdote, acrescentando que, no ano passado, em colaboração com o Banco Alimentar Contra a Fome do Algarve, foram distribuídas 67 toneladas de alimentos, 6000 peças de vestuário e 35 mil euros de donativos exclusivamente da comunidade paroquial”.

O padre Mário de Sousa frisou o pragmatismo da questão do apoio social. “Não podemos viver de teorias. As pessoas não comem ideias. As pessoas têm fome naquele dia e têm de ser ajudados naquele dia. Ao Estado competirá arranjar políticas que depois, estruturalmente, resolvam a situação, mas nós não podemos dizer: «venha para semana ou daqui a um mês». As pessoas têm fome e precisam de dar de comer aos filhos naquele dia e naquela semana”, afirmou.

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A visita ao armazém da Cáritas Paroquial da matriz de Portimão © Samuel Mendonça

A cantina social, agora inaugurada, funciona no edifício de um antigo restaurante adquirido pela paróquia ao lado do centro paroquial que acolhe a sede da Cáritas Paroquial no rés-do-chão e o armazém de roupas e alimentos na cave, o agrupamento do Corpo Nacional de Escutas no segundo andar e, futuramente, a catequese paroquial no primeiro andar.

A cantina vai funcionar com um conjunto de 23 voluntários num total de 90 elementos que já trabalham na Cáritas Paroquial. “Tivemos a necessidade de comprar uma câmara frigorífica porque não podemos multiplicar frigoríficos e só esse equipamento são quase 10 mil euros”, explicou o pároco, aludindo ao investimento feito e apelando à doação de géneros alimentícios.

O sacerdote agradeceu aos voluntários que trabalham todos os dias, aos que trabalharam “de forma tão empenhada” para que aquele dia fosse possível e à Junta de Freguesia pela “colaboração e o empenho que pôs, desde a primeira hora”, na cantina social. O padre Mário de Sousa lembrou que a parceria com a autarquia estende-se ao projeto “Tão perto de ti”, complementar à cantina social, que, em colaboração com os Bombeiros Voluntários de Portimão, permitirá levar os alimentos a casa de quem não se pode deslocar e prestar cuidados básicos de saúde como a medição da tensão arterial, da diabetes e do colesterol.

O bispo do Algarve considerou que a paróquia matriz de Portimão, ao procurar estruturar o serviço social, “dá um passo decisivo na maturidade da sua fé”.

D. Manuel Quintas destacou ainda o sentido daquela inauguração ocorrer em tempo quaresmal. “Celebrarmos esta inauguração no primeiro domingo da Quaresma faz todo o sentido. Vem recordar-nos que a verdade de tudo aquilo que a Quaresma proclama, define e defende será mais autêntico se tiver como suporte a atenção, a doação e o serviço ao outro. Não é ficar em ideias e teorias mas «descer à terra» neste confronto com as necessidades daqueles com os quais nos confrontamos”, afirmou.

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© Samuel Mendonça

O prelado, que procedeu à bênção não só da cantina social mas também da sede da Cáritas paroquial com a loja social que anteriormente funcionava num espaço comercial emprestado diante da igreja matriz, agradeceu o apoio das entidades colaboradoras pela “convergência no serviço ao bem comum”.

A presidente da Câmara de Portimão, que reconheceu haver “gente que passa mal, que não tem comida no seu dia a dia, que não tem dinheiro para medicamentos, para pagar rendas”, agradeceu aos colegas autarcas pela sensibilidade para com a questão social. “Na área social estamos sempre de acordo, votamos sempre da mesma forma. Isso significa que as nossas preocupações são comuns”, afirmou Isilda Gomes, considerando Portimão “uma cidade solidária.

A autarca considerou a abertura da cantina social “mais um passo em frente para que haja menos sofrimento” na comunidade portimonense, um objetivo que disse ser de todos: políticos, Igreja e cidadãos em geral.

O presidente da Junta de Freguesia de Portimão reconheceu a necessidade da nova valência. “Como membro e órgão autárquico que lida diariamente com situações que revelam carências sociais graves, consigo ter uma maior percepção da necessidade desta cantina social”, afirmou Álvaro Bila.

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