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Cáritas de S. Brás de Alportel existe há cerca de três anos e já distribuiu perto de 20 toneladas de alimentos

Foto © Samuel Mendonça
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A Cáritas Paroquial de São Brás de Alportel existe há cerca de três anos e já distribuiu perto de 20 toneladas de alimentos a famílias carenciadas.

Foto © Samuel Mendonça
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A organização, que assegura a pastoral sóciocaritativa da paróquia de São Brás de Alportel, apoia atualmente 75 famílias, 30 mensalmente e 45 em regime bimensal ou trimestral, sendo que estes dois últimos grupos de agregados familiares, provenientes do Bairro Social de São Brás de Alportel, eram apoiados pela Loja Social sãobrazense. Das famílias apoiadas, 15 são de Santa Catarina da Fonte do Bispo, no concelho de Tavira, paróquia entregue também aos cuidados dos padres espiritanos.

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O responsável da Cáritas paroquial explica ao Folha do Domingo que os beneficiados – muitos dos quais diz serem simultaneamente colaboradores da instituição – “são, sobretudo, desempregados, alguns temporários e outros já com idade que não lhes permite arranjar emprego facilmente”. “Aparecem outros a receber o Rendimento Social de Inserção que nem sequer lhes dá para pagar a renda de casa”, testemunha Gilberto Rodrigues, aposentado da GNR desde dezembro de 2014, que foi durante 13 anos comandante do posto de São Brás de Alportel e trabalhou também nos últimos anos no Comando Territorial de Faro.

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Aquele transmontano que veio para o Algarve em 1986, tendo casado e ido viver para São Brás em 1995, explica, por isso, que a Cáritas tem apoiado o pagamento de rendas de casa, água e luz, mas apenas quando existe a perspetiva de uma solução definitiva para cada situação. “Não vale a pena estar a atuar se a situação se repete todos os meses”, refere, acrescentando que a Cáritas tenta negociar com os senhorios. “Já tivemos casos em que baixaram a renda e um outro, de cinco meses em atraso, que perdoou três e a Cáritas pagou os outros dois, sendo que a inquilina passou, entretanto, a receber a pensão de velhice e já conseguiu fazer face aos pagamentos seguintes”, conta, acrescentando que nos pagamentos das rendas a Cáritas paroquial conta com o apoio da Cáritas Diocesana.

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Lembrando haver também muitos pedidos de ajuda para compra de medicamentos, Gilberto Rodrigues testemunha que “há muita gente a esconder a situação por que está a passar”. “Há muita gente que não se quer expor porque tem vergonha. A pobreza envergonhada é o que me preocupa mais”, refere, acrescentando que muitos pobres vivem sozinhos. “Para os que vivem sós há grupos da paróquia que lhes fazem já visitas e que trazem a informação quando precisam de alguma coisa para que a Cáritas possa ajudar”, conta, assegurando que “continuam a aparecer muitos casos novos”, pese embora a Cáritas de São Brás já tenha tido mais apoiados. “Já tivemos mais famílias, mas depois foi feito um reajustamento entre nós, a Câmara e a Junta de Freguesia”, justifica.

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Não sendo a Cáritas Paroquial intermediária do Banco Alimentar Contra a Fome, aquele responsável explica que os alimentos para distribuição provêm de “uma ou duas recolhas anuais em São Brás e em Loulé e dos cabazes angariados nas festas de catequese”, assim como de doações que recebem de alguns hipermercados. “Estamos a pensar adquirir uma arca frigorífica para passarmos a dar alguma carne e precisamos também de uma carrinha para a distribuição”, acrescenta Gilberto Rodrigues.

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No último Natal, a instituição de São Brás distribuiu 95 cabazes a igual número de famílias. Gilberto Rodrigues diz tratar-se de “um mimo para além do que as pessoas já recebem” periodicamente e explica que antes de a Cáritas existir na paróquia “já se faziam cabazes de Natal, mas fora da época natalícia não existia apoio social”.

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Participam também nos mercados solidários e na Feira da Serra em São Brás onde vendem águas e cafés e até já confecionaram bifanas para venda num evento do Centro Hípico de Vilamoura para angariação de fundos. Para além destas iniciativas, participam anualmente no peditório de rua da Cáritas.

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A organização tem também recebido “enormes quantidades” de roupa e à, terça-feira, os necessitados vêm à sede fazer a escolha. “Ficamos com os bens em bom estado de conservação e entregamos os que estão em pior estado a duas instituições”, explica o responsável da Cáritas, referindo-se aos acordos estabelecidos com a Sara Tredding e a Humana, duas associações que recolhem roupa, calçado e brinquedos em bom ou mau estado. “Depositamos num contentor para eles fazerem a recolha semanal. Quando tivermos doado uma tonelada de roupa eles depositam na nossa conta bancária a quantia contratada no protocolo que serve para comprarmos alimentos, sobretudo conservas e leite que é aquilo que as pessoas dão menos”, explica.

A paróquia tem, todos os anos de 8 de novembro a 23 de dezembro, uma loja solidária aberta perto do Mercado onde vende artigos doados pelas pessoas (sobretudo roupa e brinquedos) a preços que variam entre um e três euros. O valor conseguido reverte para a paróquia.

Os brinquedos doados em bom estado de conservação são também entregues às crianças das famílias apoiadas no dia do seu aniversário. “No Natal uma agência de uma entidade bancária em São Brás angariou brinquedos para a Cáritas”, conta o responsável da Cáritas, acrescentando que a instituição entrega também mobiliário doado aos necessitados. “Há pessoas que nos entregam mobílias que guardamos num armazém que nos foi cedido”, refere.

Para além dos membros da direção, a Cáritas Paroquial de São Brás de Alportel conta com mais oito colaboradores habituais, sendo que cinco destes trabalham diretamente na gestão do roupeiro. No entanto, na altura das recolhas de alimentos e material escolar o número dos voluntários ascende aos 115.

Embora trabalhe em articulação com a Câmara Municipal, a Cáritas de São Brás não tem qualquer acordo com a autarquia. “Está prometido que nos vão dar uma verba quando estivermos a trabalhar com identificação fiscal independente da paróquia”, refere Gilberto Rodrigues.

Embora reconheça o apoio da paróquia na cedência das instalações da atual sede, junto à igreja paroquial, aquele responsável diz existir também a necessidade de um espaço próprio.

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