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“Missão não é só lá fora. É importante que seja, mas também temos que olhar cá para dentro, porque há muito trabalho a realizar” defende Albino Martins, em entrevista ao programa «70×7», este domingo, na RTP2.

Ele e a sua mulher, naturais de Vila Real de Santo António, chegaram a Cachopo ainda muito novos, com 27 e 19 anos, respetivamente, e ali se casaram e firmaram raízes.

Ao contrário de muitos jovens da região, que partiram para o litoral algarvio em busca de novas perspetivas, Cláudia e Albino cumpriram o percurso inverso e integraram-se numa região desertificada e envelhecida, no Algarve profundo.

Segundo Albino, na base desta decisão esteve um convite do bispo do Algarve, que na altura era D. Manuel Madureira Dias, que se debatia com a “necessidade de uma presença de Igreja nesta localidade”.

Faltavam sacerdotes para atender a uma comunidade de cerca de 650 pessoas, maioritariamente idosa, e que estava dispersa pela aldeia do Cachopo e por diversos pontos da Serra.

A missão do casal, no entanto, não passaria apenas pela organização da catequese e da dignificação da liturgia.

Para além da vivência da fé, a população precisava de apoios sociais, de cuidados de saúde, de um maior acompanhamento face à solidão que muitos idosos enfrentavam.

Assim, nasceu o projeto do Complexo Social D. Manuel Madureira Dias, que hoje presta auxílio a cerca de 120 idosos, entre apoio domiciliário, centro de dia e lar.

“Não somos muito favoráveis aos lares, somos favoráveis ao centro de dia, ao apoio domiciliário, porque mantém as pessoas no seu agregado familiar. Mas infelizmente há muitas pessoas que necessitam deste tipo de equipamento, que não chega perante aquilo que são os pedidos constantes” explica Albino Martins, que desempenha a função de diretor do centro.

Aproveitando o facto da maioria da população estar ligada à agricultura, foi ainda criada uma quinta pedagógica, com apoios comunitários, que aproveita a experiência dos mais velhos e constitui-se como uma preciosa ocupação de tempos livres.

Para Cláudia, este tipo de projetos ajudam os idosos a reencontrarem o seu lugar numa sociedade que, muitas vezes, não sabe muito bem onde os “arrumar”.

“Aquilo que acontece muitas vezes é que nós temos lugar para o gato, para o cão, para o netinho, para todos, o idoso é um bocadinho mais difícil de se conseguir arrumar. E a mim às vezes dá-me pena que eles tenham visitas só uma vez por semana, uma vez por mês, uma vez em dois meses” aponta.

Fazer da própria comunidade onde se está inserido, sobretudo junto dos mais desfavorecidos, um terreno de missão, é uma mensagem que o casal Martins já começou a passar às novas gerações.

Ecclesia

Veja o vídeo: Missão no fim da rua
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