Pub

Orangea_licorUma empresa artesanal está a produzir um licor a partir de cascas de laranja algarvia, inspirado no Limoncello, bebidas feita à base de limão que é uma das mais exportadas de Itália, disse à Lusa uma das sócias.

O licor Orangea pode ser servido em “cocktail”, com gelo, pau de canela e hortelã, mas também já foi testado como “shot” digestivo, à semelhança da Amarguinha, e em algumas receitas culinárias, nomeadamente, figos marinados com Orangea e amêndoa torrada ou para flambear crepes suzette, contou Ana Cerqueira.

“As laranjas têm que ser descascadas de forma especial, sem a parte branca, que acidifica”, explicou a empresária, acrescentando que a laranja de inverno é a mais indicada para produzir o licor e que são apenas usadas laranjas algarvias, escolhidas a dedo pela sócia Isabel Bensaúde, botânica de formação e mais dotada para essa tarefa.

Com um teor alcoólico de 30%, o licor é feito à base de cascas de laranja, que ficam depois numa infusão de álcool de cana-de-açúcar durante, no mínimo, dez dias, ao fim dos quais a infusão é filtrada e misturada num xarope de água e açúcar, para baixar o grau de álcool.

Os ensaios começaram em 2011, mas não foi fácil acertar logo na fórmula ideal, pois a ideia inicial era fazer com a laranja em Portugal o que se faz com o limão em Itália, mas as sócias aperceberam-se de que os frutos se comportavam de maneira diferente e tiveram alguma dificuldade em acertar nos níveis de acidez e de álcool.

Em 2013 foi constituída a empresa e, neste momento, Ana Cerqueira e Isabel Bensaúde ainda produzem o licor de forma totalmente artesanal, sendo também as sócias embalam e colocam as etiquetas nas garrafas. No entanto, até ao final do ano, estimam construir uma unidade e arrancar com uma produção semi-industrial.

A comercialização do licor começou em 2014, ano em que venderam 5.000 garrafas, o que equivale a 2.500 litros, mas para 2016 a estimativa é triplicar o número de garrafas vendidas, com novos agentes e com tentativa de exportação, referiu Ana Cerqueira.

Antes de ser servido, o licor Orangea deve ser guardado no congelador durante quatro horas, pois deve ser bebido bem gelado, indicação presente no rótulo da garrafa.

Segundo Ana Cerqueira, o licor nunca chega a congelar, ficando apenas com uma textura mais cremosa quando em contacto com temperaturas negativas.

Para aproveitar os frutos dos quais são retiradas as cascas para produzir o licor, as duas sócias estão a desenvolver “chutney” (condimento de paladar agridoce) de laranja e manjericão e também geleia de laranja.

Questionado pela Lusa sobre as potencialidades do produto, o presidente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), Victor Guerreiro, disse tratar-se de “um excelente produto” para exportar.

“É um produto de grande qualidade, pois temos no Algarve das melhores laranjas do mundo”, observou à Lusa, acrescentando que a ACRAL está a desenvolver um projeto para apostar na internacionalização deste e de outros produtos algarvios.

Segundo aquele responsável, o projeto “Algarve Exportador” tem como missão levar produtos do Algarve às feiras internacionais “gourmet”, na perspetiva de promover internacionalmente não só os produtos, como a marca Algarve.

Pub