Pub

“Obrigado Santo Padre, pela vida que gastaste em nosso favor. Obrigado por tudo quanto semeaste nas nossas vidas e na vida da humanidade”, afirmava, no final da sua homilia, o padre António de Freitas, que presidiu à celebração, dando voz ao generalizado sentimento de gratidão.

O assistente do Setor da Pastoral Juvenil da Diocese do Algarve, que promoveu a iniciativa, destacou o Papa, ontem de manhã beatificado pela Igreja, como “alguém que abraçou o dom da santidade de um modo radical” e exortou os presentes a “abraçar a santidade ao modo de João Paulo II”.

“Nesta noite não nos reunimos para consagrar ou homenagear um herói, um superstar ou uma vedeta. Reunimo-nos para louvar a Deus, Pai rico de misericórdia, por se ter revelado na pessoa de Karol Wojtyla, e para, em Igreja, olharmos e contemplarmos o beato João Paulo II como exemplo de discípulo de Jesus”, começou por referir o padre António de Freitas, considerando a beatificação como a “confirmação daquilo em que tantos sempre acreditaram”.

O sacerdote salientou que “Deus, com a vida de João Paulo II, quer dizer aos jovens e a toda a humanidade que a santidade, e uma vida radical no seguimento de Cristo, se abraça desde cedo, na força e vigor da vida”. “A humanidade e a Igreja precisam de santos. Sede santos pois é possível hoje ser-se santo. A santidade não passou de moda”, exortou.

Considerando João Paulo II como “verdadeiro Moisés” na passagem da humanidade do segundo para o terceiro milénio, o padre António de Freitas destacou que a “grande missão” do Papa beato foi ser “libertador das opressões em que a humanidade estava mergulhada”. “Em João Paulo II, Deus quer mostrar a cada cristão em que consiste a sua missão de batizado: derrubar opressões e libertar homens e mulheres oprimidos”, complementou, acrescentando que o pontífice “abriu e renovou a Igreja ao mundo, com fidelidade, gritando a verdade sem temor e sem se deixar levar pelo caudal da moda, tantas vezes errónea e degradante”.

“Admirar e venerar o beato João Paulo II, é viver a paixão pela humanidade”, observou, lembrando que Karol Wojtyla mostra que “ser beato ou santo e ser feliz não consiste em possuir uma vida extraordinária, fora do normal, mas antes em dar a vida fazendo as coisas mais comuns com um tal amor e intensidade que as torna extraordinárias”.

A vigília de ontem, que contou ainda com o testemunho de João Cabral – um membro da Igreja algarvia que viveu diversas Jornadas Mundiais da Juventude com João Paulo II e que deixou um apelo à oração pelo surgimento de novos modelos de santidade e à renovação da Igreja – teve como ponto alto a adoração ao Santíssimo Sacramento, recordando o apreço do agora beato pela Eucaristia. A celebração teve ainda a particularidade de valorizar a ligação de João Paulo II a Nossa Senhora evocada com a entronização de um ícone mariano no decurso da vigília e a recitação de uma dezena do rosário.

Samuel Mendonça
Pub