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Made_in_algarve_marA partilha de experiências e informação entre empresas e entidades ligadas ao mar marcaram ontem o seminário dedicado ao setor, que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve organizou em Vila Real de Santo António.

Esta troca de experiências é o principal objetivo de um conjunto de cinco seminários denominados “made in Algarve” e dedicados às áreas definidas pela CCDR como prioritárias para o desenvolvimento da região no próximo Quadro Comunitário de Apoio 2014-2020, disse à agência Lusa o presidente do organismo, David Santos.

O responsável explicou que um dos objetivos da região para o período 2014-2020 deve ser o de “diversificar a sua economia” e procurar “esbater a sazonalidade”, pelo que, além do turismo, a região deve também apostar em setores como o mar, a terra e o agroalimentar, as tecnologias da comunicação e informação e as indústrias criativas.

“Isto são temas transversais à nossa estratégia para o Algarve. Sabemos que o turismo continuará sempre a ser a alavanca da região, por isso começámos pelo turismo, mas depois temos como outro setor consolidado o Mar, que discutimos hoje, e temos o agroalimentar, a eficiência energética, as ciências da saúde e as TIC e indústrias criativas como setores emergentes”, afirmou David Santos.

O dirigente da CCDR sublinhou que “o Algarve, para ter alguma possibilidade de combater a sazonalidade”, tem que apostar numa “diversificação destes setores”, mas “não numa diversificação muito ampla” e “sim em função das características do território”.

“Metade da nossa fronteira é mar, e não estou a contar com o [rio] Guadiana como mar, se não eram três quartos. Temos características climáticas e do solo que nos permitem ter explorações agrícolas de alto valor acrescentado. Por outro lado, também percebemos que as apostas que houve na construção e no imobiliário não vão ter a pujança que tiveram no passado e temos que formar as pessoas para outros setores e os que são claramente apostas são o mar e a terra”, defendeu.

Igualmente presente no seminário esteve Ribau Esteves, presidente da Oceanos XXI – Associação para o Conhecimento e Economia do Mar, que tem como principal objetivo “promover o desenvolvimento de relações de cooperação entre instituições do setor científico, empresarial e entidades associativas dos diferentes setores e atividades, cuja área funcional final é o Mar”.

Ribau Esteves considerou que é necessário haver uma maior descentralização dos processos de decisão e licenciamento, mas também de “fazer as coisas em equipa” e de partilhar experiências e conhecimento numa área que tem “grande potencial” e carece de “investimentos avultados”.

O presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, Luís Gomes, considerou haver uma “excessiva burocracia” que “bloqueia o investimento privado em frentes marítimas e ribeirinhas” e que o Estado deve tentar melhorar.

O seminário contou ainda com a participação de um representante da Companhia de Pescarias do Algarve, empresa com 179 anos que se dedica à produção de mexilhão, ostra e vieira e cujo trabalho dos últimos anos foi apontado como um exemplo do que se pode fazer na área do mar.

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