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Em vez de quartos, a aldeia de S. José de Alcalar acolhe os idosos em 52 moradias rodeadas de espaços verdes e onde até existe uma capela, um projeto piloto idealizado pelo padre Domingos da Costa já lá vão mais de vinte anos.

“Antes, todos os anos havia três ou quatro suicídios de pessoas idosas na freguesia da Mexilhoeira Grande por causa da solidão”, afirma, notando que, desde a abertura da aldeia, a situação melhorou.

Ali, os idosos têm mais autonomia e privacidade, sobretudo se forem casais, como Eduardo Duarte e Francisca Batista, de Aljezur, que estão na aldeia há catorze anos e juram estar contentes com aquela opção de vida.

“Temos condições quase como se estivéssemos na nossa casa”, diz Eduardo, 94 anos, enquanto troca um olhar cúmplice com a mulher, dizendo que não se arrepende de ter ido para a aldeia, onde deverá ficar até aos seus últimos dias.

Segundo conta à Lusa o padre Domingos da Costa, uma das vantagens da aldeia de São José de Alcalar é o facto de casais de idosos poderem continuar a viver em conjunto e com a privacidade que não é possível nos lares tradicionais.

Por outro lado, mantém-se uma maior ligação com a família de origem, diz, pois não há um horário específico para as visitas nem salas próprias onde não reina a intimidade, já que a aldeia “está aberta às famílias”.

“Temos pedidos de idosos de todo o país e até de estrangeiros, mas o lar não segue à risca a ordem da listas de espera e dá prioridade aos mais pobres”, diz o pároco, frisando que a aldeia é sobretudo dirigida aos naturais ou residentes na freguesia.

Na Mexilhoeira Grande cerca de 40 por cento dos residentes são idosos e apesar da proximidade a Portimão – que fica a menos de dez quilómetros -, a maioria dos habitantes está votada ao isolamento.

A aldeia, que demorou onze anos a construir, recebeu os primeiros “hóspedes” em 1995 e o padre Domingos da Costa conta que sempre pensou que, a dada altura, a obra parasse, embora isso nunca tivesse acontecido.

“Nunca parou por falta de dinheiro e Deus não me mandou nenhum cheque do céu”, graceja, sublinhando que para concretizar a aldeia, que também sobrevive à custa donativos, teve que meter dinheiro do seu bolso.

Lusa

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