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O primeiro animal a chegar ao centro, a 26 de outubro de 2009, foi a fêmea de cinco anos Azahar, nome árabe para flor de laranjeira, e a transferência dos 16 animais a partir de Espanha ficou concluída a 01 de dezembro, tendo nessa altura começado o trabalho de preparação para a reprodução em cativeiro, que chegou a acontecer com duas crias nascidas em abril, mas que acabaram por morrer.

Apesar de uma só ter resistido cinco dias e outra 15, a coordenadora do plano de ação para a conservação do lince ibérico em Portugal, Lurdes de Carvalho, considerou que "foi um sucesso haver reprodução de linces ibéricos na primeira época em que o centro abriu, sobretudo de um animal – Azahar – que tinha tido duas tentativas sem sucesso em Espanha”.

Lurdes Carvalho explicou que, apesar de as duas crias terem morrido por causa de uma “infeção bacteriana” e de “problemas congénitos”, o facto de terem sido concebidas e nascido com vida só por si já é um fator positivo no primeiro ano de existência do centro porque se tratou das primeiras reproduções comprovadas em Portugal nos últimos 30 anos.

“Ficámos todos admirados por haver reprodução, porque é uma espécie que é muito difícil de se reproduzir sem as condições ideais. E o trabalho que está a ser desenvolvido está dentro das expetativas, apesar da morte das crias”, afirmou, por outro lado, a presidente da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Alexandra Cunha.

Os responsáveis do centro ainda tiveram que lidar em março com uma infeção renal crónica numa das fêmeas, chamada Espiga, tendo o seu diretor, Rodrigo Serra, explicado na altura à Lusa que, dos 71 animais que integram o programa em Portugal e Espanha, 20 já tinham manifestado os sintomas da doença e três já tinham morrido.

Dias depois, fonte do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) disse que a fêmea estava a reagir bem ao tratamento e o seu estado de saúde não se estava a agravar.

Quando se cumpre um ano da chegada do primeiro animal ao Centro Nacional de Reprodução de Silves, Portugal recebe também o Primeiro Seminário do Lince Ibérico, que decorrerá entre quinta e sexta feira na Universidade do Algarve (UAlg), em Faro.

“O objetivo do encontro é juntar todas as instituições que estão a trabalhar na conservação do lince ibérico em Portugal para trocar informação”, disse à Lusa Alexandra Cunha, presidente da LPN, organizadora do seminário.

Além da parte técnica, o Seminário terá o segundo dia mais dirigido para a sensibilização da população de forma a estar preparada para a última fase do projeto, que prevê a libertação do animal no seu habitat natural, estando para o efeito a serem preparadas três zonas: em Moura/Barrancos, na Serra do Caldeirão e no Baixo Guadiana.

Em 1988 a população de linces ibéricos rondava os 1200 indivíduos, número que em 2005 caiu para os 200, tornando-o numa das espécies mais ameaçadas de extinção. A abertura do centro em Silves pretende evitar a extinção da espécie.

Lusa

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