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Hospital_faroO Centro Hospitalar do Algarve recusou ontem pronunciar-se sobre o caso de um utente que foi operado a um joelho de 2014, mas não viu o problema resolvido e espera nova cirurgia para acabar com dores e recuperar mobilidade.

Orlando Rodrigues da Paz reside em Vila Real de Santo António e foi submetido, no hospital de Faro, em julho de 2014, a uma cirurgia para colocação de uma prótese no joelho direito, procedimento que, segundo o utente, “não correu bem” e provocou “uma inflamação grande” que lhe causa dores constantes.

Orlando Rodrigues da Paz realizou depois fisioterapia ao joelho, como estava previsto na recuperação da cirurgia, mas em janeiro teve de parar o processo de reabilitação por indicação médica porque “a inflamação continuava” e “não havia resultados práticos do trabalho que estava a ser realizado”.

O utente disse ter regressado à consulta de ortopedia no Hospital de Faro – que integra o Centro Hospitalar do Algarve (CHA) juntamente com as unidades de Lagos e Portimão – e ter sido atendido por outro médico, que considerou necessária a realização de uma nova cirurgia para substituição da prótese e o colocou na lista de espera para esse procedimento.

“Fiquei então à espera de ser marcada uma nova cirurgia para substituição da prótese e, passados seis meses, como o CHA não realizou o procedimento, recebi um vale para me deslocar ao Hospital (Particular do Algarve) das Gambelas [em Faro] para ser operado. Mas quando lá cheguei, em agosto, o médico viu que só era dada indicação para realizar a remoção da prótese e curar a inflamação, mas não para substituir a prótese”, criticou.

O clínico do Hospital das Gambelas “recusou fazer a cirurgia, alegando que não existiam tempos operatórios disponíveis para procedimentos cirúrgicos como esse”, acrescentou Orlando da Paz, que escreveu uma carta a administração do CHA a pedir para lhe ser encontrada uma solução que permitisse pôr termo a, afirmou, “14 meses de calvário, com dores constantes”.

Desde então aguarda pela resposta do CHA, mas sem sucesso, e ontem, ao ser questionada sobre o caso pela Lusa, a administração do centro hospitalar recusou pronunciar-se sobre o caso concreto, mas adiantou que o ministério da Saúde emite vales cirúrgicos “sempre que o utente não é operado dentro do tempo de espera à sua situação clínica”.

“Neste caso, e uma vez que a decisão de não operar o doente foi do Hospital Particular do Algarve, todas estas questões deverão ser colocadas à referida unidade de saúde”, acrescentou o CHA, considerando que “não pode naturalmente responder por tal ausência de assistência” na unidade de saúde privada.

A Lusa questionou o CHA sobre as razões por que o vale cirúrgico só mencionava a remoção e não pedia a substituição da prótese, mas o centro hospitalar do Algarve disse que não presta informações sobre casos concretos de utentes, reservando-as para os próprios e as famílias.

Também não respondeu ao ser questionado sobre se os atrasos na realização de cirurgias no Hospital de Faro se deviam à falta de ortopedistas, que a Ordem dos Médicos disse na semana passada estar a pôr em causa a assistência aos utentes e a realização de cirurgias.

Orlando da Paz lamentou continuar sem resposta e não saber como vai substituir a prótese que está a causar inflamação “há 14 meses, sem haver solução à vista”.

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