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Movimento de Cidadãos em Defesa dos Serviços de Saúde de Loulé manifestou-se em 2012 contra a intenção de encerramento daquele serviço.
Movimento de Cidadãos em Defesa dos Serviços de Saúde de Loulé manifestou-se em 2012 contra a intenção de encerramento daquele serviço.

A falta de médicos, enfermeiros e administrativos nos Serviços de Urgência Básica de Loulé (SUB) continua a motivar preocupações, tendo a persistência do problema levado um grupo de cidadãos a convocar uma marcha de protesto na cidade.

Em comunicado, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses referiu que durante a noite de hoje para terça-feira aquele SUB não vai ter enfermeiros a trabalhar, apesar de por lei estar estipulado um mínimo de três por turno.

Desde o início de maio que os enfermeiros têm vindo a denunciar a falta de profissionais para garantir o funcionamento regular nas SUB de Vila Real de Santo António, Loulé e Albufeira.

Na base do problema está um desentendimento entre a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve e o Centro Hospitalar Algarvio (CHA) sobre a responsabilidade da gestão das SUB.

Perante a persistência da situação, o Movimento de Cidadãos em Defesa da Saúde de Loulé decidiu organizar uma marcha de protesto e um cordão humano para o próximo dia 28 de maio, pelas 18:30, com início junto à câmara municipal e fim no Centro de Saúde de Loulé.

Em declarações à Lusa, Ana Martins, uma das organizadoras da marcha, disse que se pretende que seja definido quem é a entidade responsável pela gestão dos serviços de urgência básica de Loulé.

A par desta questão, o movimento de cidadãos reivindica o recrutamento dos profissionais necessários para garantir o atendimento adequado dos utentes e garantir que não existam faltas de material.

Ana Martins vincou que além de a falta de enfermeiros dificultar ou impedir o atendimento adequado dos cidadãos que se deslocam àquele serviço de saúde público, por vezes impede a saída da ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV).

Em comunicado, o Sindicato dos Enfermeiros aponta que também a SUB de Albufeira enfrenta dificuldades e que na noite de 19 de maio esteve sem auxiliar, o que impediu alguns tratamentos e pequenas cirurgias.

De acordo com a ARS/Algarve, é o Centro Hospitalar do Algarve que “obrigatoriamente tem de assegurar a prestação de serviços e atendimento 24 horas por dia nos SUB de Vila Real de Santo António, Loulé e Albufeira, à semelhança do que acontece no SUB de Lagos”, embora aquela administração possa ajudar à resolução do problema.

Após a denúncia da situação vivida nas SUB no início deste mês, o presidente do conselho de administração do CHA, Pedro Nunes, explicou à Lusa que durante a fusão dos hospitais de Faro e do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio, o CHA ficou responsável pela SUB de Lagos, mas que as restantes SUB continuaram a ser geridas pela ARSA.

Pedro Nunes disse que a anterior direção da ARSA demonstrou vontade de que aqueles serviços fossem assumidos pelo CHA e que o conselho de administração daquele centro hospitalar está disponível desde que à transferência de responsabilidade corresponda também a respetiva transferência orçamental.

Segundo o responsável, há quase dois anos o CHA assinou um protocolo de seis meses com a ARS/Algarve, que não foi renovado, em que se comprometia a ajudar na gestão das SUB de Vila Real de Santo António, Loulé e Albufeira até que fosse encontrada solução para a transferência.

“Nós começámos a ajudar a ARSA a encontrar quadros médicos para os SUB, mas ajudar é uma coisa, responsabilizar-se é outra”, concluiu.

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