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O subsídio anual de 15.000 euros foi reduzido este ano para 5000, sendo que deste montante está apenas garantida a atribuição de metade e a entrega do restante dependente da reavaliação que a Câmara de Faro fará até ao fim do ano.

Em declarações à Lusa, Anabela Moutinho, da direção do cineclube, mostrou-se preocupada com a situação “aflitiva” que o clube atravessa, sublinhando que se trata da “mais grave” crise financeira desde a sua fundação, em 1956.

“Embora não seja um buraco financeiro gigantesco, podemos dizer que pela primeira vez em muitas décadas temos saldo negativo contabilístico, ou seja, dívidas já realizadas que não estão a ser cobertas por nenhum crédito”, explicou.

O Cineclube de Faro é um dos mais antigos do país e tem, além das sessões regulares de cinema, actividades que vão desde a organização de extensões de festivais, a mostras de cinema ao ar livre ou ciclos dedicados a vários temas.

Até agosto o cineclube diversificou as suas fontes de receita com a preocupação de muitas ficarem a custo zero, contudo, o anúncio do montante que seria dado este ano pela autarquia chegou demasiado tarde, diz Anabela Moutinho.

“Lamento que a autarquia não tenha decidido que apoio ia dar mais atempadamente porque se soubéssemos disto antes [de agosto] tínhamos suspenso as sessões regulares em junho e julho”, sublinha.

A agência Lusa tentou obter uma reação da autarquia acerca da atribuição do subsídio a esta entidade, mas o presidente da Câmara de Faro, Macário Correia, escusou-se a fazer comentários sobre o assunto.

De acordo com Anabela Moutinho, o subsídio de 2500 euros é o equivalente ao que recebiam em 1992, altura em que o aluguer de um filme rondava os 50 euros, valor que agora se cifra nos 200, diz aquela responsável.

O montante, que ainda não foi libertado, é “muito parco” face às necessidades do cineclube, afirma, frisando que a Mostra de Documentários Portugueses prevista para setembro só não foi cancelada devido à “boa vontade” dos realizadores.

Quando tomou conhecimento do apoio para este ano, o cineclube decidiu anular a exibição daquela mostra, mas ao saber disso os realizadores cederam as películas gratuitamente, cancelando apenas a sua presença nas sessões e debates previstos.

A mostra, que decorre no Teatro Lethes entre os dias 15 e 18 de setembro, e uma outra mostra de filmes estrangeiros prevista para outubro são os próximos eventos com entrada paga organizados pelo cineclube.

Anabela Moutinho apela à presença dos sócios e da comunidade nas actividades do cineclube e aproveita também para lembrar aos 350 sócios a importância da sua participação na próxima Assembleia-Geral, segunda feira à noite.

No mês de setembro não haverá as sessões regulares de cinema do cineclube no auditório do Instituto Português da Juventude (IPJ) de Faro, programação que será retomada em outubro.

Lusa

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