Pub

Em entrevista à agência Lusa, os realizadores, Mauro Amaral, 56 anos, e Carlos Fraga, 33, definem o resultado final como um documento intimista e plural que aborda a autenticidade dos pescadores e o medo de verem as suas casas demolidas pelo "Polis Ria Formosa", um programa governamental para requalificar 48 quilómetros de frente costeira desde a Praia de Vale do Lobo até Vila Real de Santo António.

"Num tempo de rápidos consumos onde o agora reina, descobriremos em conjunto uma praia e a sua aldeia piscatória, cujos habitantes teimam em resistir ao imediatismo dos dias de hoje, mantendo hábitos ancestrais de contacto profundo com a grande natureza", lê-se na sinopse a que a Agência Lusa teve acesso pela mão do autor do documentário, Mauro Amaral.

Gravado em vídeo digital, "Ilha" é a segunda produção audiovisual da editora algarvia "Livremeio Produções", com sede em Faro, e as gravações realizaram-se ao longo das quatro estações do ano para captar o "modus vivendus" da aldeia – nome não oficial – piscatória, que, embora tenha luz e água, não dispõe de saneamento básico.

Através do filme, os realizadores descobriram na Praia de Faro uma comunidade com mais de 100 pessoas distribuídas pelos dois extremos da praia que vivem em total comunhão com a natureza, ao sabor de ventos e marés.

"Estas pessoas vivem na e da natureza. São fortes e intensas. Abrem a porta de casa e têm areia. Vivem entre a Ria Formosa e o mar. O trabalho deles é feito num habitat líquido e a vida das pessoas está sintonizada com os ritmos da natureza", conta Mauro Amaral, lembrando que a vida dos pescadores "nunca é rotineira".

Carlos Fraga refere, por seu turno, que não queriam que o resultado final se transformasse num filme "panfletário" com um só ponto de vista e, por isso, foram entrevistadas várias pessoas, nomeadamente um especialista em erosão costeira da Universidade do Algarve.

A narrativa do "Ilha" foi escrita por jovens poetas algarvios e dita pelo músico José Mário Branco e deverá estrear "ainda antes do Verão no canal RTP 2", adiantou a dupla de realizadores, salientando que também a música é "made in Algarve" e criada especificamente para o projeto cinematográfico.

"Este documentário é também uma tentativa de revelar tesouros, porque o Algarve é muito rico e quanto mais visto à lupa mais riqueza tem", sugere o cinesta algarvio, observando que através deste documento se tem uma perspetiva sobre "o que sempre foi a vida no Algarve".

O filme de índole informativa tem uma duração de 54 minutos, entrevista 11 pessoas, todos homens, e vai candidatar-se ao Festival de Cinema Independente de Lisboa, o "Indie", acrescentou Carlos Fraga, que realizou e produziu o documentário "António Aleixo – Na terra acho, na terra deixo", que passou recentemente na RTP 2.

"Sairemos e entraremos na vida dos seus habitantes, tendo sempre como anfitriões animais marinhos e uma variedade invejável de espécies de aves movimentando-se em paisagens paradisíacas (…). Longe de ser uma descrição de fenómenos objetivos, é uma tentativa de inscrição do amor humano no coração das coisas", prometem os realizadores.

Clique na foto para vê-la maior

Pub