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© Samuel Mendonça
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O clero da Província Eclesiástica do Sul, constituída pelas dioceses de Évora, Beja e Algarve, considera que o atual contexto de mudança histórica, social e cultural do mundo indica que “algo de novo” está a começar.

A ideia foi deixada na apresentação das conclusões das jornadas de atualização do clero da Província Eclesiástica do Sul, constituída pelas dioceses de Évora, Beja e Algarve, que hoje terminaram no Hotel Júpiter, em Portimão, onde decorreram desde a passada segunda-feira com a participação de cerca de 80 membros do clero, incluindo os bispos das três dioceses.

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“A mudança que está a acontecer indica-nos que há algo de que nos estamos a despedir e algo de novo que está a começar. Apesar de não sabermos ainda qual é este «novo», devemos procurar saber para onde queremos caminhar”, leu o cónego José Morais Palos do documento que resultou daquela iniciativa promovida pelo Instituto Superior de Teologia de Évora, do qual é diretor.

Acrescentando que “a mudança epocal pode significar o fim de um certo tipo de Cristianismo mas não do Cristianismo”, o clero das dioceses do sul de Portugal sublinha que “o tempo atual é um tempo favorável para o anúncio do evangelho”. “Há qualquer coisa que está a germinar e nos convida a recomeçar face à afirmação da autonomia, da historicidade, da liberdade, da secularização e dos avanços da ciência e da técnica”, referem as conclusões daquela ação de formação que teve como tema “Evangelizar num mundo em mudança”.

O jornalista António Marujo (E), o cónego José Morais Palos (C) e a escritora Sara Rodrigues (D)
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O documento adverte ainda que “uma pastoral de mera conservação ou simplesmente apologética opõe-se à necessária regeneração e criatividade que as mudanças atuais exigem”. “Não nos conformamos com o «sempre se tem feito assim», mas queremos ser audazes e criativos”, afirmam os sacerdotes e diáconos daquelas dioceses.

Reconhecendo existir em Portugal um “fenómeno da desfiliação religiosa que conduz a uma situação de não-pertença, abrangendo crentes e não crentes”, assim como uma “erosão da identidade católica e a privatização da fé que conduz à falta de impacto da fé católica no tecido social, – devida em grande parte ao fenómeno da mobilidade e à dificuldade que os que professam a fé católica sentem em se afirmar”, – o clero do sul constata que “as trajetórias de vida e os itinerários são hoje mais pessoais e a presença da Igreja tem que ter em conta esta diferenciação”.

“Há critérios de pertença à Igreja que poderão ser questionados face aos critérios do reino de Deus, instaurado por Jesus. Há que respeitar a realidade das pessoas com quem Deus pode fazer caminho, abrir-se à pluralidade e reconhecer diferentes itinerários pessoais”, apontam ainda os padres e diáconos, considerando ser “necessário apaixonar-se pelo humano, por tudo o que se passa na vida das pessoas com o olhar de Deus”. “Reconhecemos que o espírito de Jesus habita em cada coração humano e a humanização é o melhor terreno para conciliar a fé e a vida, a cultura e o evangelho”, concluem.

Na sessão de encerramento, o bispo de Beja, D. António Vitalino, exortou o clero à “comunhão, partilha e paixão por Cristo, pela Igreja, pelas dioceses e pela missão”.

D. José Alves, arcebispo de Évora destacou o “nível científico, pastoral e de convívio muito elevado” daquela formação, bem como a “colaboração excelente de vários leigos” e considerou que iniciativa contribui para “sedimentar a coesão” eclesial do clero e das comunidades das três dioceses. O prelado exortou ainda ao fortalecimento dos laços de comunhão que existem entre as três Igrejas diocesanas.

O bispo do Algarve, D. Manuel Quintas propôs que o tema das próximas jornadas possa abordar a “necessidade de reforçar a identidade com Cristo” do clero do sul do país.

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Ao longo dos últimos quatro dias, os participantes ouviram Alfredo Teixeira, da Universidade Católica Portuguesa (UCP), falar sobre os temas “Identidades religiosas em Portugal: novos cenários pastorais” e “Crer e pertencer: novas sóciabilidades”. José Borges de Pinho, também da UCP, abordou os temas “Comunidades eclesiais e identidade católica: desafios no contexto português” e “A transmissão e proposta de fé numa situação de profunda mudança” e o padre Jorge Santos aludiu à temática “O Curso Alpha, uma resposta para a Nova Evangelização”.

Os bispos D. António Vitalino (E), D. José Alves (C) e D. Manuel Quintas (D) © Samuel Mendonça
Os bispos D. António Vitalino (E), D. José Alves (C) e D. Manuel Quintas (D)
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As jornadas contaram ainda com um painel intitulado “O Caminho Neocatecumenal e as novas experiências evangelizadoras”, com Joaquim e Francisca Ferreira, de Évora, Manuel e Manuela Bento, de Beja e Jorge e Elsa Ricardo, do Algarve, e José Luis Moral, da Pontifícia Universidade Salesiana, Roma, e Martin Carbajo, da Pontifícia Universidade Antonianum de Roma, apresentaram os temas “Como evangelizar hoje?” e “Formar comunidades missionárias”.

Hoje foi realizado um painel intitulado “O que esperamos e desejamos da Igreja”, com a participação de António Marujo, jornalista especialista em temas de religião, e de Sara Rodrigues, escritora, no qual não participou o ator Nicolau Breyner, como chegou a ser anunciado pela organização.

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