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Centro_medicina_reabilitacao_algarveColaboradores do Centro de Medicina e Reabilitação do Sul lamentam a degradação das condições de trabalho e da qualidade dos serviços desde que a gestão do equipamento passou para o Estado, apontando faltas de material e de medicamentos.

O centro, semelhante ao de Alcoitão (Cascais) e localizado em São Brás de Alportel, tem 145 colaboradores, é uma das poucas unidades do país especializadas em medicina de reabilitação e era gerido pelo grupo Galilei, cujo contrato de sete anos terminou em novembro de 2013, tendo a partir dessa data a sua gestão sido entregue à Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve.

“Passámos de uma situação de cuidados de excelência para uma situação em que os doentes são seriamente afetados”, disse à Lusa um colaborador, acrescentando que tem havido falta de luvas esterilizadas e soluções desinfetantes e apontando ainda ruturas de ‘stock’ na farmácia do centro, o que já obrigou a que colaboradores pagassem medicamentos do seu bolso.

Em declarações à Lusa, fonte da ARS/Algarve reconheceu a pontual falta de materiais, mas argumentou que tal aconteceu não por rutura de ‘stock’ mas “por demoras na satisfação de requisições internas aos armazéns da ARS”, razão pela qual foi constituído um fundo de maneio, que na última semana de abril foi reforçado em dois mil euros.

“Para resolver estas situações de faltas de material detetadas no momento, nomeadamente luvas, medicamentos e antisséticos, foi constituído um fundo de maneio de 600 euros mensais, por excesso, para que nada faltasse ou se arriscasse, por atraso imputável à frota, comprometer o trabalho do corpo terapêutico”, referiu.

A transição para a ARS/Algarve, sem aviso prévio, a falta de informação sobre a sua situação contratual, a impossibilidade de constituírem uma comissão de trabalhadores e a perda de regalias, como o cancelamento do seguro de saúde, são outras das queixas que os trabalhadores, que não quiseram ser identificados, transmitiram à Lusa.

Uma funcionária contou que a generalidade da equipa sente que o seu posto de trabalho pode estar em risco, instabilidade que acaba por se refletir nos cuidados prestados aos doentes.

“Saímos de lá todos os dias com o coração nas mãos. Sentimos que estão à procura de pretextos para mandar gente para a rua”, desabafou.

A ARS garante que “não houve alteração do vínculo laboral estabelecido nem do valor dos salários” e sublinha que desde o início do processo “todos os trabalhadores ficaram isentos de quaisquer cortes salariais”, aplicáveis à administração pública, “de forma discriminatória com todos os outros trabalhadores desta ARS, sendo o empregador o mesmo”.

Um outro funcionário afirmou que a perda de qualidade dos serviços desde que o Estado assumiu a gestão “é evidente” e que o sentimento que domina a equipa é a “desmotivação”.

A mesma fonte da ARS/Algarve sublinhou que foi conferida “total autonomia” a todos os profissionais para que prossigam com as suas atividades e esquemas terapêuticos.

O equipamento, com uma lotação de 54 camas, destina-se ao tratamento de doentes em regime de internamento com lesões medulares, traumatismos cranioencefálicos e acidentes vasculares cerebrais, tendo como área geográfica de influência direta os distritos de Beja e de Faro.

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