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Nestes dias, em que há mais turistas a chegar de mota do que de avião, os comerciantes da cidade estavam habituados a fazer bom negócio. Mas, este ano, as coisas estão um pouco diferentes para alguns deles.

Lojas, bares e restaurantes da ilha de Faro estão a sentir uma enorme quebra no negócio e atribuem as culpas às medidas de segurança adotadas pelas autoridades policiais.

Logo à entrada da ilha, um pelotão da GNR controla todos os movimentos, com atenção especial aos motards. A circulação de motas está condicionada e não se pode estacionar nos locais do costume. A partir das 18 horas, boa parte dos arruamentos da ilha ficam interditos ao trânsito dos motociclos.

Os estabelecimentos mais afetados são os que se localizam na ponta da ilha, mas todos os outros acabam por ser prejudicados, já que muitos motards acabam por ir para outros locais onde a polícia não os importune.

Carla Barreto tem um bar de praia e apesar de não estar na zona mais afetada sente uma quebra no negócio e compreende e lamenta a situação dos colegas. Esta comerciante nega que, no passado, tenham existido casos de violência suscetíveis de terem provocado a atual decisão das autoridades: “nada disso, estou aqui há muitos anos e nunca vi aqui nada de violência”, diz Carla.

A concentração motard “traz muito movimento à praia de Faro. Nestes dias o negócio costumava aumentar muito”, acrescenta.

Mesmo em frente ao seu estabelecimento, um grupo de oito soldados da GNR controla as entradas na ilha de Faro. Dentro de um veículo da Unidade de Intervenção estão outros elementos, na penumbra dos vidros foscos e espelhados.

Na ponta da ilha, a GNR endurece o aparato visível. Patrulhas de dois elementos rondam os bares e a praia, mostram-se nos cruzamentos das ruas, armados de pistola no coldre e cacetete embainhado.

Patrícia Duarte tem um bar na ponta da ilha e reclama: “fizemos um grande investimento a contar com estes dias da concentração e agora nem deixam as motas estacionar aqui à porta”. Comprámos carne, alfaces, tomates, batatas, contratámos várias pessoas, e ninguém nos avisou de que isto ia ser assim.”

Esta comerciante direciona os protesto contra a Câmara Municipal de Faro porque, segundo acredita, “a polícia faz o que a Câmara de Faro manda.”

Patrícia Duarte diz que a Câmara parece preferir a “paz dos cemitérios” em nome de medidas de segurança, na sua opinião, despropositadas: “isto é uma concentração de motas e claro, à noite, às vezes, há um ou outro caso de tipos que bebem mais do que a conta. Mas isso tanto acontece aqui como noutro local qualquer”, esclarece Patrícia Duarte que fala em “milhares de euros de prejuízo”, embora ainda não tenha contabilizado o desastre financeiro para a sua pequena empresa, que é daquelas que precisa de “trabalhar no verão para comer no inverno”.

Esta comerciante tentou em vão falar com alguém na autarquia de Faro: “Ontem [quinta feira] gastei o saldo do telemóvel a tentar falar com responsáveis da câmara” e agora não cala a revolta que sente.

Outra comerciante, Paula Santos, diz que “estava habituada a trabalhar bastante nestes quatro dias”, e diz-se “indignada com a falta de informação”.

Acrescenta que poderia ter evitado o investimento que fez na expetativa de que ia ter a esplanada sempre cheia. “Agora estou aqui sem fazer um tostão”, afirma.

Também para esta comerciante “é normal haver um ou outro que beba um copo a mais” mas, na sua opinião, “o aparato policial que montaram aqui seria mais do que suficiente para prevenir situações desagradáveis”.

Lusa

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