A comunidade algarvia franciscana promoveu no passado dia 19 deste mês uma conferência sobre “O Legado de São Francisco” que se inseriu no âmbito do programa comemorativo do oitavo centenário da morte do santo de Assis que está a decorrer até 10 de janeiro de 2027.
“Evocar o oitavo centenário da morte de São Francisco é uma oportunidade para continuarmos a conhecer e a imitar este homem e a sua vida”, considerou o frei Álvaro Silva na iniciativa que teve lugar na igreja de São Francisco em Faro.
Considerando assim que a efeméride “é para todos os que se sentem filhos e filhas da Igreja uma oportunidade de reavivar a fé”, aquele sacerdote, membro da comunidade franciscana algarvia, esclareceu que imitar Francisco de Assis é seguir Jesus. “Nós seguimos Francisco porque Francisco seguiu a Jesus. Queremos seguir Jesus à maneira de São Francisco”, clarificou.
O orador disse assim que “o pensamento de Francisco é entre dois pontos”. “Entre a humildade da encarnação (Jesus humilha-se para se fazer um de nós) e a caridade da paixão (o Senhor que morreu por amor a nós). É este Cristo que Francisco quer seguir”, concretizou.
O frei Álvaro Silva considerou ainda tratar-se de “uma experiência de salvação para toda a humanidade”. “Primeiro para aqueles que professam a regra franciscana nos seus diversos institutos, mas também para todos os que admiram São Francisco. Seremos um testemunho mais evidente e autêntico se nos empenharmos a todos os níveis da nossa vida, a ser fermento dentro dos projetos atuais, não só eclesiais na dinâmica sinodal que estamos a viver, como também podemos ser profetas para este mundo que está sequioso de bons exemplos”, prosseguiu.
“O oitavo centenário será assim um acontecimento salvífico se nos fixarmos nele e nos deixarmos conduzir e dar uma maior atenção à nossa vida de admiradores e seguidores de São Francisco. Seremos um testemunho mais evidente e autêntico se nos empenharmos na vivência operativa e empenhada em seguir Jesus que o Francisco também seguiu”, complementou.
O frei Álvaro Silva considerou que “o amor de Francisco ao Senhor e à Igreja subsiste hoje e faz de Francisco uma pessoa viva”. “Estamos à volta de um homem vivo, de alguém que seguiu Cristo de acordo com o carisma franciscano e que, como nos lembra o Cântico dos Cânticos, o amor é mais forte do que a morte”, sustentou, considerando a celebração do oitavo centenário “um acontecimento para a vida e não um choro por um defunto”.
O conferencista afirmou ainda que o aniversário tem um objetivo e um método. “Tem um objetivo que é celebrarmos este homem de Deus que deu a vida pela Igreja, pelo mundo, pelas Escrituras e, diríamos hoje, pela ecologia. E tem um método que é o de nos encontrarmos, seguirmos os apelos da família franciscana, dos nossos superiores e do Santo Padre”, desenvolveu.
O franciscano lembrou que o aniversário do “trânsito de São Francisco” será o “ponto mais alto” das celebrações do “caminho jubilar” que desde 2023 tem vindo a ser percorrido, “acompanhando os últimos anos da vida terrena do poverello” até à sua morte, ocorrida a 03 de outubro de 1226. “Na iminência da sua morte disse aos seus companheiros: «Eu fiz a minha parte. Que Cristo vos ensine a fazer a vossa»”, contou, explicando que o oitavo centenário daquele acontecimento teve início no dia 02 de janeiro deste ano na basílica papal de Santa Maria dos Anjos construída no lugar onde, “já cego e com as marcas dos estigmas, desejou ser colocado nu sobre a terra nua”.
“Esta dimensão do «eu cumpri a minha parte» é um carácter evocativo, propõe uma síntese da fisionomia espiritual do santo na sua dimensão religiosa, humanista e cosmológica. A segunda dimensão é a mais dinâmica e operativa que nos compromete a nós: partimos dos sinais concretos da luz destes valores de Deus, do homem, da humanidade, dos valores que o mundo tem. Neste profundo património de Francisco, que ele dá a toda a Igreja e a toda a humanidade, insere-se agora a nossa parte: «Que Cristo vos ensine a fazer a vossa parte»”, referiu.
O frei Álvaro Silva disse ainda que Francisco deixou “um legado de reconciliação universal de paz e bem”; “de profecia de fraternidade”. “A fraternidade que tanto almejamos hoje é possível, mas ela está de tal maneira ameaçada que tem de ser encarada como uma profecia para a irmos realizando sempre sem desfalecer”, considerou.
O sacerdote franciscano lembrou ainda que o Papa Leão XIV, associando-se ao oitavo centenário da morte de São Francisco, decretou que este fosse um Ano Jubilar, não só nos lugares franciscanos de Itália, mas em todas as igrejas franciscanas.










