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Foto © Samuel Mendonça
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A comunidade de São Paulo da paróquia de São Pedro de Faro tem a funcionar na sua área de ação pastoral no concelho farense um serviço sociocaritativo que possibilita a distribuição, três vezes por semana – às segundas, quartas e sextas-feiras –, de sopa, pão e fruta, entre outros alimentos, a cerca de 37 famílias carenciadas do Arneiro, Braciais, Mar e Guerra, Mata Lobos e Patacão.

São apoiadas no total cerca de 89 pessoas, muitas delas desempregadas (sendo que nalguns casos estão nessa situação marido e mulher), outras incapacitadas de trabalhar por invalidez e outras ainda idosas que recebem reformas muito baixas, explicou ao Folha do Domingo uma das responsáveis da comunidade. “Apoiamos algumas famílias que estão a trabalhar mas numa situação precária, com rendimentos muito baixos e que vivem em condições muito más. Também muitos idosos que vivem sozinhos com reformas de cerca de 200 euros e que não conseguem fazer face às despesas mensais muito acrescidas pelos gastos com medicação”, contou Sílvia Manhita.

“O que se verifica também é que as rendas das casas são altíssimas, mesmo quando estas não oferecem condições dignas. E temos aqui situações muito degradantes”, conta a organizadora, explicando que “cerca de 90%” das famílias apoiadas têm crianças.

“Temos equipas organizadas para fazer a recolha das refeições que são depois distribuídas. Temos uma entidade, cuja identidade não é possível revelar, que nos oferece diariamente o excedente do que confeciona e que não é consumido”, conta Sílvia Manhita, acrescentando que o serviço de ação social está sedeado numa casa cedida há cerca de um ano para o efeito por um casal da própria comunidade.

Foto © Samuel Mendonça
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“Começámos por querer confecionar as refeições nessa casa. Pedimos ajuda aos agricultores aqui da zona para a doação de alimentos, mas a resposta não foi a que estávamos à espera”, lamenta, lembrando que para além das refeições, são também entregues cabazes de alimentos provenientes do Banco Alimentar Contra a Fome e de campanhas da catequese. “A nossa comunidade participa com todos os seus membros nas campanhas de recolha de alimentos do Banco Alimentar e todas as crianças são ainda convidadas a trazer semanalmente um alimento para a catequese”, explica.

Sílvia Manhita explica que o envolvimento das crianças e jovens neste trabalho é proveitoso para voluntários e beneficiados. “A partir do sexto ano da catequese, cada grupo vai com o seu catequista ajudar, uma vez por mês, na distribuição ao domicílio. Nesse sábado, a catequese é testemunhal e, às vezes, mais importante do que a comida e roupa que lhes levamos é a companhia que lhes fazemos”, testemunha, realçando, sobretudo, a experiência com os idosos. “Quando os nossos jovens vão às suas casas, é como se eles revessem os netos que já não os visitam, alguns porque estão longe. Por vezes, convidamo-los a virem connosco para momentos de oração e isso é também um enriquecimento para os nossos jovens”, evidenciou.

Foto © Samuel Mendonça
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Aquela responsável serve-se do caso de uma idosa dependente do álcool, situação que se agravou após o falecimento do marido, também ele alcoólico, para destacar que o apoio social realizado vai mesmo para além do fornecimento de bens materiais de materiais de primeira necessidade. “Um dia voltámos a ir ter com ela na casa onde vivia sem água e sem luz e lá conseguimos que concordasse com o internamento numa comunidade terapêutica em Évora, sendo que o seu tratamento está a ser um sucesso”, contou.

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