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“Pedras é que deviam pôr. O peixe quer é pedra. A barra vai ficar areada com o inverno e vai desaparecer. É dinheiro deitado ao mar. Aquilo não é uma barra, é costa marítima”, acusou Francisco Matias, 82 anos de idade e pescador desde os sete.

A nova barra da Fuzeta foi aberta esta semana ao tráfego marítimo, na sequência das obras executadas nos últimos sete meses, no âmbito do Polis Litoral Ria Formosa.

Para aquele profissional da faina, a “Fuzeta poderia ser uma terra mais rica e mais bonita se pusessem pedras na nova barra, como existe em Olhão, Tavira, Albufeira ou Quarteira, onde as barras são construídas com pedra”.

Um outro pescador de 66 anos também demonstrou indignação com a nova barra.

“É tudo loucura o que estão a fazer. O inverno difícil de 2009 abriu uma barra natural, mas as autoridades preferiram gastar dinheiro a fechá-la para abrirem uma nova pela mão do homem, mas é dinheiro jogado ao mar”, argumenta, num tom indignado e preocupado.

A maioria dos pescadores com que a Lusa falou hoje defendem a colocação de pedras para ajudar a fixar a barra e criticaram as autoridades – Sociedade Polis – por gastarem dinheiro numa barra que vai acabar por desaparecer com as intempéries e as marés.

A nova barra, localizada a cerca de 800 metros a nascente do porto de Fuzeta-Terra e que faz parte de uma empreitada cujo valor total ronda um milhão de euros, tem o objetivo, segundo a Sociedade Polis Ria Formosa de “minimização situações de risco para pessoas e bens, por via das medidas corretivas de erosão e defesa costeira”.

A presidente da Sociedade Polis, Valentina Calixto, explica, por seu turno, que a colocação da nova barra é uma decisão que resulta de estudos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), Administração da Região Hidrográfica do Algarve e Universidade do Algarve.

“A engenharia pesada pedida pelos pescadores não é possível do ponto de vista legal”, explica Valentina Calixto, acrescentando que é desaconselhada a fixação de barras, porque se estaria “a transferir os problemas de erosão para outros locais”.

Valentina Calixto explicou que a abertura da barra é o culminar da primeira fase da “intervenção de emergência” para recuperar e consolidar o cordão dunar na ilha da Armona, garantindo condições de navegabilidade para viveiristas, pescadores e marítimo-turísticas.

A empreitada, que decorreu durante sete meses e incluiu os trabalhos de fecho da barra espontânea aberta pelas intempéries do último inverno, o reforço do cordão dunar e a abertura da nova barra, representou um investimento de 980 mil euros, informa o Polis.

O "Polis Litoral Ria Formosa" é um plano estratégico de requalificação e valorização da Ria Formosa, cujo investimento total é superior a 87 milhões de euros e que tem uma sociedade onde os municípios de Faro, Olhão, Loulé e Tavira participam com capital social.

Lusa

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