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© Samuel Mendonça
© Samuel Mendonça

O cónego Carlos César Chantre lembra que “todas as vezes que a religião se afastou de Deus, tornou-se um instrumento da barbárie humana”.

O sacerdote considera que isto acontece “porque o ser humano tem na sua constituição a tendência para a barbárie com a subtileza de utilizar a religião para legitimar essa mesma barbárie”.

“Sabemos isso com o decorrer da história dos povos em que todas as religiões foram instrumentalizadas para servir o poder da barbárie. Nós também tivemos essa experiência”, lamentou na missa do passado domingo na igreja de São Pedro de Faro.

“Graças a Deus que, no desenrolar da história, de quando em quando, no meio do «estrume» surgiram «flores» maravilhosas para significar que o sonho, não só é possível, mas praticável”, prosseguiu, clarificando que “o mártir, no cristianismo, não utiliza a violência, mas é mártir por amor”.

O cónego César Chantre lembrou ainda que o “fundamento” do Cristianismo é Jesus Cristo e que ao invés de falar da Igreja, importa falar de Jesus. “Há que purificar a memória, para que Jesus Cristo possa aparecer de uma forma livre e espontânea”, considerou, acrescentando que, “hoje, o Cristianismo está a provar que Jesus Cristo é que tem razão”.

“Quando nos desviamos do fundamento, a religião passa a ser um instrumento do ser humano e não um instrumento de Deus para pôr em prática Jesus Cristo”, advertiu, acrescentando que “o poder pode cegar quando é instrumentalizado, não a favor do povo, mas a favor da barbárie do pensamento”.

O sacerdote lembrou também os ataques que o Cristianismo tem sofrido ao longo dos tempos. “Quiseram fazer crer que a religião desapareceria em duas gerações. Não desapareceu”, evidenciou, considerando que “falar dos defeitos da Igreja” é falar dos defeitos das pessoas e que “atacar a Igreja” é atacar o povo. “Hoje, infelizmente, a religião mais perseguida do planeta é o Cristianismo”, lamentou.

“Espero que os nossos intelectuais europeus se apercebam que a chave da Europa vai ser o Cristianismo. Se assim não for, a Europa deixará de o ser. Ou a Europa recupera a sua memória, não tem vergonha da sua memória e corrige o presente naquilo que esteve de errado na memória, ou então, se esquecer a memória, há-de esquecer o seu povo e outros povos ocuparão o seu lugar”, alertou.

“Queridos irmãos, sejamos firmes na fé e levantemos a cabeça porque muitos dos nossos irmãos tombaram a defender esta memória e esta fé”, pediu.

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