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O sacerdote jubilado, que ontem voltou a presidir à oração de vésperas e à Eucaristia, explicou que não assinalou o seu jubileu no dia em que completou 25 anos de sacerdote porque “não estava no Algarve”. No entanto, quis “dar oportunidade” às “pessoas que partilham preocupações e projectos” de se encontrarem consigo para “elevar o cálice da salvação ao Senhor”, que ao longo destes 25 anos lhe tem “proporcionado tantas coisas favoráveis”. “Esta é a forma mais profunda de encerrarmos este jubileu sacerdotal”, afirmou, referindo-se ao início de uma “nova etapa” e congratulando-se com a realização de uma celebração “íntima e familiar”. “Não se pretendeu que fosse uma celebração de massas”, explicou, referindo-se a uma “assembleia qualificada”.

No final da Eucaristia lembrou ainda que “uma comemoração de um sacerdote é sempre um dom e um mistério”. “Dom porque o Senhor chama-nos ao sacerdócio e a iniciativa não é nossa, certamente numa atitude de predilecção. Chama-nos a um serviço. O sacerdote não se ordena para si, mas em ordem a uma comunidade que é a Igreja, para servir o povo de Deus. Deus serve-se daquilo que somos para podermos ajudar outras pessoas como nós”, afirmou, acrescentando: “ao mesmo tempo o sacerdócio é um mistério. Porque é que sou sacerdote? Muitas vezes me deparo diante desta interrogação e não encontro justificação”.

O homenageado destacou ainda a importância da comunidade. “Qualquer sacerdote não pode ir muito além se não tiver a ajuda daqueles que têm os mesmos sentimentos religiosos do que ele. O padre vive da fé que precisa de ser apoiada, estimulada para que ele não esmoreça e leve por diante a resposta que deu ao Senhor”, frisou.

A terminar, fez o balanço destes 25 anos de padre. “O Senhor fez com que eu deixasse outras hipóteses de concretização mas fui compensado sobejamente com muitas outras coisas que me tem proporcionado. Deus, quando chama alguém, não deixa esse alguém mais pobre mas enriquece-nos sempre muito para além da nossa medida. Deus chama-nos mas não nos deixa sozinhos”, reforçou.

O cónego José Rosa Simão, que concelebrou com vários outros sacerdotes presentes e que proferiu a homilia, destacou a importância da comunidade carmelita daquele mosteiro, em especial o “carinho muito especial para com os sacerdotes”. “As irmãs vivem e sentem os problemas dos padres como mães ou irmãs. Preocupam-se connosco. Sabemos isso e por isso queremos agradecer”, referiu, considerando a sua presença uma “grande bênção” para a diocese algarvia. “Rezai sempre por nós. A vossa oração é uma oração comunitária e tem diante de Deus um grande valor”, complementou.

Aos muitos presentes da paróquia de Almancil, de que é prior o homenageado, mas também de Faro, Fuseta, Loulé, Mocarapacho e Olhão, o cónego Rosa Simão pediu a “oração”, o “carinho”, a “compreensão”, a “ajuda” e o “amor fraterno” pelos sacerdotes.

João Pires, cidadão farense e empresário aposentado, destacou o cónego Gilberto Santos como uma “pessoa a quem a cidade de Faro muito deve” e lembrou o seu trabalho realizado na Sé da capital algarvia.

Jorge Leitão, advogado na mesma cidade, evidenciou a sua acção como “administrador do património da Igreja” e no “desenvolvimento dos espaços de culto”. Destacou a sua personalidade como sacerdote de “grande envergadura e integridade intelectual” e “eminente jurisconsulto no âmbito do Direito Canónico”.

Seruca Emídio, presidente da Câmara de Loulé agradeceu, em nome da comunidade de Almancil, a “entrega, amizade e empenho” e Francisco Leal, presidente da Câmara de Olhão, de onde é natural o sacerdote jubilado, lembrou a sua actividade no apoio social, concretamente junto da Obra de Nossa Senhora das Candeias (Olhão) e nalgumas Misericórdias.

Samuel Mendonça
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