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O orador, que discorreu sobre o tema “Da Comunhão à Missão na Igreja”, começou por evidenciar a “unidade entre o gesto e a Palavra”, afirmando que “o carácter actuante da Palavra de Deus na acção litúrgica da Igreja é a permanente fonte e elo entre comunhão e missão”.

Neste contexto, o conferencista afirmou ser “na vida pessoal de cada um dos membros do povo de Deus que a Palavra encontra o seu privilegiado espaço de acolhimento”. “Se a amizade com Cristo não existe, o que é que comunicamos?”, interrogou, lembrando que “só na comunhão íntima, alcançada por Cristo, se entende e processa toda a acção eclesial”. “Qualquer iniciativa na Igreja, se não parte e converge para esta centralidade com a pessoa de Cristo, corre o risco de se situar no horizontalismo de mera exibição”, advertiu o cónego José Pedro Martins.

O orador, recordou por isso que “a meta que nos envolve a todos é uma pastoral de missão e para a atingir é preciso conhecer a pessoa de Cristo através das Palavra escutada e interiorizada e cultivar uma espiritualidade de identidade, unidade e testemunho, que o mesmo é dizer a necessidade de uma profunda comunhão com Ele”. “Só pessoas e comunidades a viver a partir desta comunhão com Cristo podem estar sempre prontas a responder sobre as razões da esperança que têm”, acautelou.

Citando a mensagem do Papa para o Dia Mundial das Missões 2010, lembrou que a “construção da comunhão eclesial é a chave da missão” e considerou ser “esta experiência de comunhão com a acção do Espírito que se torna imperioso viver e testemunhar nas nossas comunidades e a partir delas”.

“Urge que nos motivemos e organizemos para a missão, através de um projecto evangelizador que o nosso Programa Diocesano referencia”, alertou o cónego José Pedro, apelando a que os membros das assembleias comunitárias algarvias não se vejam como “figurantes” mas “participantes”. “O estilo de vida dos que abraçaram a fé será sinal de presença de Cristo se neles se visibilizar o encanto que as primeiras comunidades causaram”, lembrou.

Destacando a relevância de uma “comunidade que acolhe quem está a caminhar”, lembrou também a importância da “obediência à Igreja” e advertiu para o perigo de uma comunidade “morta” que está apenas a “cumprir o preceito”, não sendo sinal do Ressuscitado.

Em contraponto, evidenciou a “verdadeira comunidade ministerial” “aberta à novidade do reino de Deus e incansável servidora da Palavra da Salvação”.

Para a consecução da dimensão missionária do anúncio, destacou alguns aspectos. “Temos a necessidade da Eucaristia, oração pessoal e oração de grupos para podermos responder à situação que palpita à nossa volta, a começar pela nossa casa”, enumerou, apontando também a “solicitude pelos mais carenciados”.

Considerando que “o acento da família numa pastoral de missão é prioritário”, deteve-se na análise da paróquia como “comunidade de fiéis em missão com centralidade na Eucaristia”. “Às nossas paróquias cabe dar passos de abertura missionária em todas as suas iniciativas, aproveitando boas-vontades, formando os seus agentes pastorais, não se fixando numa pastoral de manutenção, mas auscultando os rumores e apelos que o Espírito hoje e aqui quer dizer à Igreja”, apontou.

Samuel Mendonça

Ouça a conferência:

"Da Comunhão à Missão na Igreja"

 

 

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