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Neste sentido, o vigário episcopal para a Pastoral da diocese algarvia considerou que a intuição familiar continua a pedir “um forte empenho, programação e acompanhamento de vivências no antes e no depois do matrimónio”. “Quase não haverá paróquia onde não se faça alguma coisa no antes, mas já é mais complicado o depois”, reconheceu.

Procurando destacar a família, enquanto “destinatária de particular atenção” do actual programa pastoral da Diocese do Algarve, o cónego José Pedro Martins evidenciou que “a identidade da família está a ser cada vez mais questionada na sociedade” e que “também na Igreja a problemática não é linear”. “Quantas vezes, o ser cristão não reflecte a família cristã que se esperaria”, justificou, salientando que, “confrontada com as variadíssimas maneiras que a atingem, a família está a ser um dos elos mais fracos da construção eclesial que sempre teve a família como forte sustentáculo”.

“Também entre muitos cristãos, a opção por um enquadramento familiar regulado pelas facilitadoras leis do Estado ou por um casamento de cenário, acontecido no templo mais à maneira do gosto de cada casal de noivos, não marca pela esperada diferença”, reconheceu. Neste contexto, o conferencista lamentou que, “com o rótulo de fé cristã, “os protagonistas destas maneiras de estar na vida estão a contribuir para aumentar negativamente o peso de uma instituição que de forma alguma se revê nesse estilo de construção de vida que não é mais do que uma construção assente sobre a areia”. “Pelo contrário, situa-se no plano de outras opções sem referência a qualquer credo, comprometendo assim a seriedade que a Igreja sempre põe em tudo o que faz”, complementou.

O cónego José Pedro Martins, que destacou a “eclesialidade, a identidade da família como Igreja doméstica”, lembrou que os pais devem ser para os filhos “os primeiros pregadores da fé pela palavra e exemplo”. “Isto diz tudo o sobre o que a Igreja espera de uma família assumidamente cristã que celebrou o sacramento do matrimónio”, disse.

Sublinhando também o sentido da preparação prévia para o matrimónio, referiu-se à necessidade de “evidenciar a importância dos sacramentos de Iniciação Cristã”. “Não deixemos de celebrar o matrimónio pelo facto de estes sacramentos não terem sido celebrados na vida dos nubentes, mas desejamos que toda a iniciação cristã aconteça”, clarificou, apelando à insistência na “frequência eucarística” e na “prática cristã” como “tempo de caminhada para a vida conjugal”. A propósito exortou a que se encontrem formas para os casais se encontrarem para aprofundamento dessa vivência e defendeu que os “noivos que fazem uma séria preparação não colocam todo o assento na exterioridade da celebração do sacramento”.

O cónego José Pedro Martins salientou ainda que “com a celebração do matrimónio nasce uma família cristã”, “uma pequena comunidade eclesial” e que “a comunidade paroquial é o resultado destas pequenas Igrejas domésticas”. “O Matrimónio é ordenado ao crescimento e santificação do povo de Deus e não se faz sem um programa orante”, advertiu também, pedindo às comunidades, com base nos indicadores pastorais emergentes do Ritual das Celebrações dos Sacramentos e sacramentais, concretamente do ritual da celebração do matrimónio, que “ofereçam uma vida familiar espelho para aqueles que a iniciam”. “Isto é mais complicado”, mas “temos de chamar a atenção das comunidades que são referentes àqueles que vão contrair matrimónio”, frisou.

Aludindo às sugestões práticas que o Ritual das bênçãos pode oferecer para a família incentivou à celebração de “memórias e acontecimentos familiares”. A bênção do novo lar, dos esposos, ligadas ao parto, da mesa, de uma criança baptizada, dos filhos, dos enfermos, de pessoas idosas, da família, de um grupo reunido para a catequese ou oração, na partida para uma viagem, de instrumentos técnicos de trabalho, dos campos, animais e na apanha de frutos novos e de acção de graças pelos benefícios recebidos foram alguns dos exemplos apontados.

Considerando que “a família é maior garantia de salvaguarda dos valores pessoais”, o cónego José Pedro Martins defendeu que “a aposta numa pastoral familiar é cada vez mais um repto urgente e necessário para promover a dimensão familiar da vida”.

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