O cónego Carlos de Aquino explicou, no passado dia 21 de novembro, no Carmelo de Faro, que o título «rainha do Mundo»”, atribuído à mãe de Jesus, “não se refere a um trono terreno, mas a uma realeza espiritual, fruto da sua íntima união com Cristo, o Rei do Universo”.
“Maria é Rainha porque serviu. Maria é exaltada porque se fez serva”, sustentou, lembrando a sua resposta ao aparecimento do anjo para lhe comunicar o plano de Deus para ela: “«Eis aqui a serva do Senhor» (Lc 1,38)”. “Maria é rainha porque acreditou: pela sua fé o salvador foi gerado no mundo. Maria é rainha porque intercede: a sua maternidade espiritual se estende sobre todos os povos e tempos”, complementou na conferência que proferiu no Carmelo de Nossa Senhora Rainha do Mundo, no âmbito do programa comemorativo dos 50 anos da sua fundação iniciado em julho passado.
Na preleção – intitulada “Aprender de Nossa Senhora orando a Liturgia da Rainha do Mundo” e inserida no ciclo de conferências dedicadas a Nossa Senhora Rainha do Mundo, que teve lugar no convento carmelita no Patacão, no concelho de Faro – o sacerdote da Diocese do Algarve explicou que “a realeza de Maria segundo a inspiração da Sagrada Escritura afirma-se na realeza em Cristo”. “Jesus é o Rei do Universo (cf. Ap 19,16). Se Ele é rei, Maria, como sua mãe, é naturalmente, rainha”, evidenciou, acrescentando que “Maria é elevada à dignidade de Rainha, não por mérito humano, mas por graça divina”.
O sacerdote explicou assim que “a Teologia vê Maria como rainha por duas razões principais”: “pela sua maternidade divina”, pois “Maria é Mãe do rei dos reis”, e “pela sua participação na glória de Cristo”, pois “Maria participa plenamente da glória e do poder de seu filho no céu”.
O cónego Carlos de Aquino evidenciou que, “num mundo marcado pelo individualismo e pela sede de poder mundano”, a “realeza” de Maria é a do “serviço”, da “entrega” e da “intercessão” e “não de domínio autónomo”. “Ela reina intercedendo por nós, como mãe compassiva e medianeira”, sustentou, lembrando que Maria “intercede por toda a humanidade”, reinando ainda “pela ternura e por amor”.
Lembrando que a “Senhora do lugar superior” “ocupa um espaço central e significativo”, afirmou que “Maria é a primeira Igreja”. O conferencista recordou igualmente que a mãe de Jesus é ainda venerada com os títulos “rainha dos apóstolos”, “rainha do universo”, “rainha e mãe de misericórdia” e “rainha da paz”.
O liturgista explicou que “orar a liturgia da rainha do mundo é, na verdade, aprender com Maria a transformar cada celebração num encontro real com Deus”, pois “encontra-se o filho pela mãe, por Maria”. “É viver cada resposta, cada silêncio, cada canto, como expressão de amor filial e confiança”, complementou, acrescentando que “viver Maria rainha é assumir uma espiritualidade de esperança, solidariedade e confiança na vitória do amor de Cristo”.
“Como podemos viver concretamente essa oração mariana na liturgia?”, questionou, para dar de seguida a resposta: “Valorizando, antes de tudo, uma sincera preparação interior. Antes da Missa ou da Liturgia da Horas, invocar a Virgem Maria, Rainha e Mãe, pedindo a graça da pureza, da humildade e do recolhimento”.
O sacerdote disse ainda que Maria participa na liturgia “como imagem perfeita da Igreja orante”. “No Ofício Divino, ela é o modelo de quem medita a Palavra. Nos sacramentos, ela é a mulher que acompanha cada gesto de graça do filho, como os antecipou em Caná”, prosseguiu.
Citando a exortação apostólica “Marialis Cultus” do Papa Paulo VI, advertiu ser “preciso evitar «atitudes cultuais erradas» que consistem «no exagero de conteúdo ou de formas que chegam a falsear a doutrina” e a “estreiteza de vistas que obscurece a figura e a missão de Maria»”.
“Contemplar Maria, mãe espiritual da humanidade e advogada na ordem da graça como rainha é celebrar a vitória de Cristo, fazê-lo Senhor da nossa vida, é renovar a nossa confiança na intercessão materna da Virgem. Orar a liturgia da rainha do mundo é deixar que Maria nos ensine a rezar com a Igreja e pela Igreja, é viver a oração como participação no reinado do amor e do serviço. Diante de Maria, aprendemos que o verdadeiro reinado é o da humildade; a verdadeira glória, a do amor; e a verdadeira oração, a que brota do coração entregue a Deus”, concluiu o sacerdote.










