Pub

Aquela conferência vicentina, que exerce a sua ação sócio-caritativa em todo o concelho de Faro, explica que “são cada vez mais as dificuldades” “em dar uma resposta concreta e necessária às carências daqueles que nada ou quase nada têm”. “Temos hoje uma situação tão diferente e difícil que já estamos a ajudar algumas famílias que ainda há pouco tempo nos apoiavam”, refere um comunicado enviado a FOLHA DO DOMINGO.

O ano passado, a Conferência Beato Nuno de Santa Maria apoiou mais de 100 famílias carenciadas, às quais distribuiu um total de 10.100 euros e cerca de oito toneladas de alimentos provenientes do Banco Alimentar Contra a Fome e de ofertas particulares. Ao longo de 2011, a ajuda prestada pela conferência vicentina farense contribuiu para o pagamento de rendas de casa e para a aquisição de medicamentos.

Silvério dos Reis de Jesus, presidente daquela conferência vicentina, explica que a verba foi angariada por via de doações de particulares feitas através de coletas, quotas, donativos e, sobretudo, de peditórios. “Em resultado da solidariedade de muitas pessoas que, apesar de tudo, nos continuam a ajudar”, justifica aquele responsável, lembrando que a conferência não tem qualquer apoio institucional. “Deixámos de contar com qualquer apoio por parte das diversas entidades oficiais que, desde há muito o vinham fazendo, contando agora só com a generosidade das pessoas e empresas particulares, não esquecendo o grande contributo do Banco Alimentar”, acrescenta, sem adiantar os motivos dos cortes oficiais.

A Conferência Beato Nuno de Santa Maria deixa um “agradecimento a todos os que contribuíram para que fosse possível ajudar muitas dezenas de famílias, que sem esse apoio teriam tido muitas dificuldades em suportar a sua dramática situação”.

“Em face da situação, cada vez, mais difícil que as famílias atravessam, resta-nos apelar à boa vontade e generosidade de quem, desde há muito, nos vem ajudando, apoiando-nos dentro das possibilidades de cada um, materialmente ou juntando-se a nós”, acrescenta ainda o comunicado, salientando que a “maioria” dos voluntários da conferencia vicentina têm mais de 65 anos. “Com esta nossa atividade de amor aos outros não sentimos a idade que temos nem a solidão, mas sim muita alegria por podermos dar a vida a esta obra do Senhor com mais de 80 anos”, refere o documento.

Ontem mesmo, o presidente da Sociedade de São Vicente de Paulo confirmou à Agência Ecclesia este crescimento dos pedidos de ajuda àquela instituição de solidariedade católica revelando que os mesmos aumentaram 40% no período entre novembro e março face aos cinco meses anteriores.

António Correia Saraiva explicou que as solicitações centram-se na “medicação, rendas de casa, transportes para consultas, alimentação, água, luz e gás”, bem como em dívidas relativas à compra de casa e automóvel por parte de pessoas que ficaram sem emprego.

A Sociedade São Vicente de Paulo desenvolve o seu trabalho através de 900 grupos paroquiais em Portugal, onde colaboram 15 mil pessoas.

A Sociedade de São Vicente de Paulo, inspirada no santo francês com o mesmo nome que viveu entre 1581 e 1660, foi fundada em Paris no ano de 1833 por um grupo de estudantes liderados pelo Beato Frédéric Ozanam, tendo chegado a Portugal em 1859, quando foi criada a primeira Conferência, em Lisboa.

Samuel Mendonça
Pub