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Conservas algarvias ‘La Rose’ regressam ao mercado 40 anos depois

© Samuel Mendonça
© Samuel Mendonça

A ‘La Rose’, uma das históricas marcas da indústria conserveira do Algarve, vai ser relançada no mercado pela Ramirez & Cª, a mais antiga empresa em laboração no setor das conservas de peixe.

“Apesar de ter sido retirada da comercialização há cerca de 40 anos, a marca continua a ostentar todo um potencial, motivo que nos levou a repensar a sua reintrodução no mercado”, disse à agência Lusa Manuel Ramirez, administrador da empresa conserveira de Matosinhos.

“Habituei-me a ver as grandes marcas que o Algarve tinha e esta era uma delas”, referiu o empresário e administrador da mais antiga empresa conserveira em laboração no país.

A Ramirez & Cª pretende recuperar o prestígio de outrora da marca algarvia, com a introdução no mercado de uma gama de conservas de sardinha, cavala e atum, com embalagem com visual apelativo, mas que respeite a sua identidade original.

Segundo o empresário Manuel Ramirez, o relançamento da ‘La Rose’ deve-se “a todo um imaginário de qualidade que a marca tem”, sendo numa primeira fase colocadas à venda em Portugal cerca de 100 mil latas de sardinha e de atum em azeite.

“Fizemos o relançamento de outras marcas algarvias, as quais já temos espalhadas pelo mundo. Esperamos fazer esse mesmo trabalho com esta”, frisou Manuel Ramirez, perspetivando que a marca possa “entrar no mercado asiático dentro de dois meses”.

“Olhamos com otimismo para o mercado internacional, pois o setor das conservas está a aumentar as suas exportações e julgo que, apesar dos problemas todos da crise, é dos poucos setores que têm seguido em frente”, sublinhou o empresário.

Para Manuel Ramirez, um dos maiores problemas com que se debate a indústria conserveira “é a insuficiente frota pesqueira”, frisando que Portugal “deveria olhar de forma diferente para as potencialidades que o mar oferece”.

“O mar é o que nos pode dar um aumento do PIB (Produto Interno Bruto) muito grande e temos, em relação ao mar, potencialidades para voltarmos a ser grandes”, sublinhou.

As conservas ‘La Rose’ começaram a ser produzidas em 1902 na fábrica Feu Hermanos, tendo saído do mercado no final da década de 1970. A sua história está documentada na antiga fábrica conserveira, junto ao rio Arade, em Portimão, hoje transformada no Museu Municipal.

O diretor do Museu de Portimão, José Gameiro, antevê que o relançamento da marca ‘La Rose’, um dos ex-líbris da indústria conserveira do Algarve, “será uma mais-valia para aquele espaço, porque perpetua a sua história”.

José Gameiro considera que “esta parceria estratégica com a empresa Ramirez, dará outra visibilidade e dinamizará o Museu conserveiro de Portimão, porque promove e incentiva a visitar aquele espaço cultural”.

Nas embalagens da ‘La Rose’ pode ler-se em português e inglês: “Visite o Museu de Portimão, onde a La Rose nasceu”.

“Isto é uma boa relação para a divulgação do espaço. Aqui no museu temos a cadeia operatória, o sistema de trabalho que está bem documentado e faltava este clique”, destacou.

José Gameiro disse acreditar que a comercialização das conservas ‘La Rose’ contribuirá para um aumento do número de visitantes do Museu de Portimão, cuja média anual ronda as 70 mil pessoas.

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