A coordenadora do Setor da Catequese da Infância e Adolescência da Diocese do Algarve alerta que a formação ‘Ser Catequista’ não se destina apenas aos catequistas que estão a iniciar aquele serviço na Igreja, mas a todos os que ainda não a realizaram.

“Destina-se a todos os catequistas: os que iniciam e a outros que, estando cá há mais tempo, não participaram ainda, porque é diferente de um curso de iniciação. É um percurso, um caminho, uma experiência que se faz do que é ser cristão hoje e, nomeadamente, ser catequista segundo aquilo que a Igreja também nos pede”, refere em declarações ao Folha do Domingo a irmã Arminda Faustino, estimando que dos cerca de 800 catequistas algarvios apenas 300 tenham realizado a formação.

A irmã Arminda Faustino, coordenadora do Setor da Catequese da Infância e Adolescência da Diocese do Algarve • Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Aquela responsável lembra que o ‘Ser Catequista’, para além de seguir as orientações do Plano de Formação de Catequistas aprovado pela Conferência Episcopal Portuguesa em março de 2018, é resultante da documentação mais recente que a Igreja tem emitido sobre a catequese como o novo Diretório para a Catequese, publicado em 2020, ou a carta pastoral “Catequese: A alegria do encontro com Jesus Cristo” da Conferência Episcopal Portuguesa, de 2017, que originou o novo itinerário para a catequese em Portugal, intitulado ‘Itinerário de iniciação à vida cristã das crianças e dos adolescentes com as famílias’, aprovado pelos bispos de Portugal em abril de 2022 e que neste momento é a grande referência para a catequese no país, a partir do qual estão a ser elaborados os novos recursos ou materiais catequéticos.

“Isto desafia-nos. Não podemos fazer como sempre fizemos porque a realidade hoje é muito diferente. Mesmo quem faz catequese há muito mais tempo precisa de se ir atualizando e juntando a outros para ajudar também os mais novos e para perceber aquilo que é a essência do que é ser catequista hoje”, adverte.

“É preciso fazer mais este caminho conjunto e estarmos próximos, de modo a perceber aquilo que a Igreja hoje nos pede”, alerta, lembrando a importância da dimensão comunitária da missão do catequista. “Sou catequista não isoladamente, simplesmente porque gosto ou é uma maneira de ocupar o meu tempo, mas porque a Igreja me chama, me confia os seus filhos e me envia”, realça, alertando para o “risco de ocupar o tempo que seria de catequese, mas não com catequese”. “Não basta ter um curso superior e pegar num catecismo ou então ignorar os materiais e fazer o que eu tenho na minha cabeça e o que me parece. Isto é um perigo”, advertiu.

A irmã Arminda Faustino refere que o ‘Ser Catequista’ “é muito mais” do que uma formação inicial – “conceito anterior que esteve muito vincado durante muitos anos” e que diz ser a principal dificuldade a que mais destinatários não frequentem a nova proposta formativa – e considera que este novo percurso vem ajudar à “mudança do paradigma”. Evidenciando que não estão em causa os conteúdos, ou seja, a mensagem cristã, aquela responsável destaca sobretudo a diferente maneira de comunicar hoje. “Não «damos catequese», mas vamos fazendo este caminho. Tanto é que nem falamos de catecismos, mas de recursos, os materiais da catequese. Não falamos de sala de catequese, mas de espaços porque a catequese não funciona só entre as quatro paredes”, exemplifica.

A coordenadora do Setor Diocesano da Catequese da Infância e Adolescência (SDCIA) acrescenta inclusivamente que o ‘Ser Catequista’ tem sido aproveitado em algumas dioceses para a realização de retiros e também para a formação de adultos.

O ‘Ser Catequista’ está neste momento a ser realizado pelo SDCIA com a participação de 41 catequistas de todo o Algarve em regime presencial e online.

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